Lula diz que Lulinha deve se defender e afirma que PF tem liberdade para investigar

Presidente nega qualquer tentativa de blindar o filho mais velho e usa investigação para destacar autonomia da Polícia Federal no atual governo

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O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou que seu filho mais velho, Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, deve se defender das suspeitas que estão sendo apuradas pela Polícia Federal. Em entrevista à Record neste domingo (23), o petista declarou que ninguém está acima da lei, inclusive integrantes de sua própria família.

Lula disse que, caso alguém tenha cometido irregularidades e causado prejuízos aos cofres públicos, deverá responder pelos atos. Segundo o presidente, Lulinha também terá de provar sua inocência caso seja alvo de acusações.

O presidente voltou a defender a independência da Polícia Federal e afirmou que não interfere nas investigações. Lula disse que não ameaça delegados ou ministros para impedir apurações e que todos devem ter o direito de apresentar sua defesa.

Caso Lulinha envolve investigação sobre lobista

Lulinha foi apontado pela Polícia Federal como beneficiário indireto da atuação da lobista Roberta Luchsinger. Segundo a investigação, ela teria buscado contatos políticos para facilitar a venda de um medicamento ao governo federal.

Ao comentar o caso, Lula procurou diferenciar a postura de seu governo de episódios atribuídos à gestão do ex-presidente Jair Bolsonaro. A estratégia política do PT é destacar a autonomia da PF e sustentar que investigações envolvendo pessoas próximas ao presidente podem avançar sem interferência do Planalto.

Além de Lulinha, a investigação também atingiu Marco Aurélio Ribeiro, conhecido como Marcola, que foi chefe de gabinete de Lula. Ele deixou o cargo no Planalto em junho para participar da campanha do presidente, mas saiu da função após as apurações da Polícia Federal virem à tona.

Ex-chefe de gabinete também entrou no radar da PF

Segundo informações divulgadas pela imprensa, Marcola recebeu R$ 249 mil de Roberta Luchsinger em uma operação apresentada por ele como um empréstimo pessoal já quitado. O ex-chefe de gabinete nega ter recebido pagamento irregular e afirma que não levou adiante uma minuta de contrato encaminhada pela lobista.

A investigação também apontou que Luchsinger teria pago R$ 217 mil em despesas relacionadas a Marcola, incluindo faturas de cartão de crédito, financiamento de veículo e outros gastos. O ex-integrante do Planalto nega que os valores tenham sido pagamentos por serviços prestados.

Na entrevista, Lula também fez críticas ao cenário político atual e afirmou sentir saudades do período em que disputava eleições com o PSDB. Para o presidente, a política perdeu espaço para a exposição nas redes sociais, em um ambiente no qual candidatos podem ganhar projeção pela internet.

Lula compara cenário político atual com eleições anteriores

Lula afirmou que o cenário eleitoral mudou e criticou a ideia de que a popularidade nas redes sociais seja suficiente para qualificar alguém para disputar a Presidência da República.

A declaração ocorreu em meio à movimentação política para as eleições de 2026, que já conta com diferentes nomes no campo da oposição e da situação. O presidente deve disputar novamente o protagonismo eleitoral do PT.

Ao tratar do caso envolvendo Lulinha, Lula reforçou que qualquer pessoa suspeita de cometer irregularidades precisa ser investigada e ter a oportunidade de apresentar sua defesa. A posição busca demonstrar que o governo não pretende impedir o avanço das apurações da Polícia Federal.

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