Júri do caso Henry Borel retoma fase decisiva com depoimentos de delegados e peritos no Rio

Sessão desta terça-feira deve concentrar relatos considerados fundamentais pela acusação no julgamento de Jairinho e Monique Medeiros pela morte de Henry Borel

O Tribunal do Júri do Rio de Janeiro retoma nesta terça-feira (26), às 9h, o julgamento do ex-vereador Jairinho e de Monique Medeiros, acusados pela morte do menino Henry Borel, de 4 anos.

A expectativa é que o segundo dia da sessão seja marcado pelos depoimentos de testemunhas consideradas estratégicas para o andamento do processo. O julgamento acontece no 2º Tribunal do Júri da Capital, no Fórum Central do Rio de Janeiro.

Devem ser ouvidos nesta terça-feira os delegados Edson Henrique Damasceno e Ana Carolina Lemos Medeiros de Caldas, além do médico-legista Luiz Airton Saavedra de Paiva e do perito Luiz Carlos Leal Prestes, profissionais que participaram diretamente da investigação e da produção dos laudos técnicos do caso.

Os depoimentos são apontados como decisivos para reforçar a linha da acusação sobre as circunstâncias da morte da criança e a dinâmica das agressões investigadas pela Polícia Civil.

Investigação desmontou versão inicial apresentada pelo casal

O delegado Edson Henrique Damasceno deve sustentar perante os jurados que a investigação reuniu provas suficientes para afastar a hipótese de acidente doméstico apresentada inicialmente pelos réus.

Segundo o inquérito policial, a conclusão foi construída a partir da análise de provas digitais, depoimentos e do comportamento do casal antes e depois da morte de Henry.

Em manifestações anteriores no processo, o delegado afirmou que a investigação observou uma sequência de atitudes consideradas relevantes para o indiciamento dos acusados.

A defesa de Jairinho, por outro lado, mantém a tese de que as lesões poderiam ter sido provocadas por uma queda acidental ou até por suposto erro médico durante o atendimento no Hospital Barra D’Or.

Perícia e laudos médicos devem ganhar destaque no júri

O médico-legista Luiz Airton Saavedra de Paiva deve rebater novamente as versões apresentadas pela defesa durante o julgamento.

Em análises técnicas anexadas ao processo, o especialista concluiu que as lesões identificadas no corpo de Henry não eram compatíveis nem com acidente doméstico nem com procedimentos de reanimação médica.

Já o perito Luiz Carlos Leal Prestes deve reforçar a tese de agressões físicas severas. Em depoimentos anteriores, ele declarou que o conjunto das lesões encontradas apontava para espancamento.

A expectativa da acusação é usar os depoimentos técnicos para consolidar a versão de que Henry foi vítima de violência contínua antes da morte.

A delegada Ana Carolina Lemos Medeiros de Caldas também deve apresentar detalhes da investigação de campo e relatos de moradores do condomínio onde o casal morava.

Segundo depoimentos reunidos durante o inquérito, moradores relataram episódios frequentes de brigas e discussões no apartamento.

Primeiro dia foi marcado por nova tentativa de adiamento

A retomada do júri ocorreu nesta segunda-feira (25), após adiamento ocorrido em março, mas o primeiro dia terminou sem depoimentos de testemunhas.

Logo na abertura da sessão, a defesa de Jairinho pediu novo adiamento do julgamento alegando problemas de saúde de um dos advogados do ex-vereador.

Durante a sessão, Jairinho chegou a destituir a própria equipe de defesa e afirmou estar sem condições adequadas para prosseguir no julgamento.

A juíza Elizabeth Machado Louro alertou que não aceitaria novas manobras protelatórias e informou que eventual novo adiamento poderia resultar na transferência do réu para uma unidade prisional de segurança máxima.

Após a manifestação da magistrada, Jairinho voltou atrás e decidiu manter a defesa já constituída, permitindo a continuidade do júri.

Essa foi a terceira tentativa da defesa de suspender o julgamento em menos de uma semana, segundo informações apresentadas durante a sessão.

Conselho de Sentença já foi definido

O Conselho de Sentença responsável pelo julgamento foi formado na tarde desta segunda-feira.

O júri popular é composto por cinco homens e duas mulheres, que terão a responsabilidade de decidir pela condenação ou absolvição dos réus.

Os jurados permanecem incomunicáveis durante toda a sessão e estão proibidos de acessar redes sociais, comentar o caso ou manter contato com testemunhas e envolvidos no processo.

A previsão do Ministério Público é que o julgamento dure cerca de sete dias.

Relembre o caso Henry Borel

Henry Borel morreu no dia 8 de março de 2021 após chegar ao Hospital Barra D’Or, na Barra da Tijuca, em parada cardiorrespiratória.

Inicialmente tratado como um possível caso de mal súbito, o episódio passou a ser investigado após exames apontarem múltiplas lesões no corpo da criança.

A Polícia Civil concluiu que Henry vinha sofrendo agressões antes da morte.

Jairinho e Monique Medeiros foram presos em abril de 2021 e denunciados pelo Ministério Público por homicídio qualificado e tortura.

Segundo a acusação, Jairinho teria cometido as agressões contra a criança, enquanto Monique, mãe de Henry, teria conhecimento das violências e se omitido.

As defesas negam as acusações. Jairinho sustenta a tese de acidente doméstico ou erro médico, enquanto Monique afirma que desconhecia as agressões e que era manipulada pelo então companheiro.

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