Babá de Henry Borel diz que foi pressionada a mentir e promete revelar toda a verdade ao júri

Testemunha considerada peça-chave no caso afirma que sofreu pressão para mentir durante a investigação e deve apresentar nova versão ao júri nos próximos dia

O julgamento sobre a morte de Henry Borel ganhou um novo desdobramento após a advogada da babá Thayná Ferreira afirmar que a cliente está disposta a “falar tudo” ao júri. A testemunha, considerada uma das mais importantes do processo, teve o depoimento adiado por causa dos atrasos no andamento da sessão que julga Jairinho e Monique Medeiros.

Segundo a defesa da babá, Thayná pretende esclarecer as diferentes versões apresentadas ao longo das investigações. A advogada Juliana Nascimento declarou que a cliente teria sido coagida a mentir durante o processo investigativo e que agiu por medo.

De acordo com a representante legal, Monique Medeiros teria pedido que Thayná apagasse mensagens do celular e omitisse informações relevantes sobre o caso envolvendo o menino Henry Borel.

Babá afirma que sofreu pressão durante investigação

Em entrevista, a advogada Juliana Nascimento afirmou que Thayná responde atualmente a um processo por falso testemunho, justamente em razão das contradições apresentadas ao longo do caso.

Segundo ela, a babá teria sido pressionada emocionalmente e coagida a sustentar versões que não correspondiam totalmente aos fatos investigados pela polícia.

“Ela foi coagida e pressionada a mentir. Por medo, não revelou tudo”, afirmou a advogada, acrescentando que Thayná agora está preparada para se retratar diante do júri popular.

A defesa de Monique Medeiros foi procurada, mas ainda não havia se pronunciado sobre as declarações até a última atualização do julgamento.

Julgamento sofre atrasos e pode durar mais dias

Após dois dias de julgamento, apenas o delegado Henrique Damasceno, responsável pela investigação do caso Henry Borel, prestou depoimento. O interrogatório se estendeu por várias horas, provocando mudanças no cronograma previsto inicialmente pela Justiça.

Além da babá, outras testemunhas ainda devem ser ouvidas, incluindo a delegada assistente Ana Carolina Lemos, o perito do Ministério Público Luis Carlos Leal Prestes e o médico-legista Luis Ayrton Saavedra.

Com os atrasos registrados, existe a possibilidade de novas remarcações e ampliação do tempo previsto para o júri, que inicialmente deveria durar entre cinco e sete dias.

A advogada de Thayná afirmou que a cliente aguarda apenas a definição da nova data para prestar depoimento oficialmente perante os jurados.

Thayná apresentou versões diferentes ao longo do caso

O depoimento da babá é considerado decisivo porque ela mudou sua versão dos fatos em diferentes momentos da investigação sobre a morte de Henry Borel.

No primeiro depoimento à polícia, em março de 2021, Thayná afirmou não ter percebido qualquer comportamento anormal na relação entre Jairinho, Monique e o menino.

Pouco tempo depois, em novo depoimento, a babá declarou que Monique sabia das agressões sofridas por Henry e teria pedido para que ela mentisse aos investigadores. Na ocasião, ela afirmou ter conhecimento de pelo menos três episódios de violência contra a criança.

Já durante a audiência de instrução do processo, Thayná voltou a alterar a versão e disse que desconhecia as agressões praticadas por Jairinho. Na mesma sessão, porém, afirmou que se sentia manipulada por Monique Medeiros.

O julgamento segue em andamento no Tribunal do Júri do Rio de Janeiro e continua mobilizando atenção nacional devido à repercussão do caso Henry Borel.

A juíza responsável pelo julgamento da morte de Henry Borel, Elizabeth Machado Louro, afirmou que parecia estar em um “universo paralelo” durante a sessão no II Tribunal do Júri do Rio de Janeiro, nesta terça-feira (26).

A declaração ocorreu após mais de nove horas de oitiva do delegado de Polícia Civil Henrique Damasceno, responsável pela investigação inicial do caso.

Durante os questionamentos da defesa do ex-vereador Jairo Souza Santos Júnior, o Dr. Jairinho, feitos pelo advogado Zanone Júnior, a  magistrada interrompeu a sessão e comentou:

“Parece que estou em universo paralelo, uma hora dessas e vocês discutindo máxima importância?”, afirmou a juíza.

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