A babá do menino Henry Borel, de 4 anos, morto em 8 de março, voltou atrás e admitiu que sabia das agressões do vereador Jairo Souza Santos Junior, o Dr. Jairinho, contra a criança. Thayná de Oliveira Ferreira confessou que, temendo retaliações, mentiu na primeira versão sobre o caso a pedido dos patrões.
Segundo informações do jornal Estado de S.Paulo, o segundo depoimento começou no meio da tarde de segunda-feira (12) e avançou até a madrugada desta terça-feira (13).
No primeiro depoimento, concedido em março, Thayná negou ter conhecimento das agressões de Jairinho a Henry. Na ocasião, a polícia ainda não tinha descoberto a troca de mensagens entre ela e a mãe do menino, Monique Medeiros, namorada do vereador. O diálogo foi peça fundamental nas investigações. Nele, Thayná relata as agressões de Jairinho ao menino.
A babá foi ouvida por mais de 7 horas na 16ª DP (Barra da Tijuca). Ela admitiu que sabia das agressões e falou que o próprio menino relatou tudo à mãe por chamadas de vídeo. Ao saber sobre o que Henry havia contado, o vereador Dr. Jairinho teria ficado agressivo.
Ela disse que começou a trabalhar na casa de Monique e Jairinho no dia 18 de janeiro de 2021 e que o casal brigava com frequência.
Falou ainda que presenciou, ao menos, três situações anormais envolvendo a criança, e que ao dar banho em Henry no dia 12 de fevereiro viu que seu joelho estava roxo e que a criança mancava.
Confira alguns trechos do depoimento de Thayná:
No dia 2 de fevereiro, quando Monique estava no futevôlei, o menino começou a chamar pela mãe em seu quarto e Jairinho foi até o seu encontro e o chamou de mimado e o levou para conversar no quarto do casal.
Henry e Jairinho ficaram 30 minutos de portas fechadas, enquanto ela permaneceu no quarto do menino, sem ouvir nenhum barulho. O menino, segundo ela, não parecia ter chorado, mas que quando perguntou o que tinha acontecido, Henry disse apenas que “tinha esquecido e estava com soninho”.
Monique voltou então para casa e Jairinho saiu em seguida. A mãe, segundo a babá, perguntou a ela se ele havia dito ou ouvido algo e falou que iria procurar saber o que tinha acontecido.
Nesse mesmo dia, segundo Thayná, após a escola e já na brinquedoteca do prédio, Henry não quis brincar com as outras crianças e disse que estava com dor no joelho.
A babá falou que não associou a dor no joelho ao episódio, mas disse que relatou o fato à mãe do menino e que esta disse que ele poderia estar inventando.
No dia 12 de fevereiro, Monique saiu por volta das 14h30 para ir à academia e fazer as unhas. Uma hora depois, Jairinho chegou de surpresa em casa. Henry o abraçou e este o chamou dizendo que queria mostrar uma coisa que havia comprado.
Os dois ficaram então trancados no quarto do casal. A babá chamou o menino, mas este não respondeu. Enviou então mensagens à mãe da criança. Que ao sair do quarto, cerca de 10 minutos depois, Henry foi em sua direção e Thayná o pegou no colo.
O menino, segundo ela, ficou “amuadinho”, sem falar nada. Em seguida, o menino reclamou de dor no joelho e disse que tinha levado uma “banda” e chutes de Jairinho e que “toda vez faz isso”.
A babá falou que ao relatar o episódio à mãe, esta sugeriu que ela desse um banho no menino para que ele pudesse relaxar. Foi então que viu um roxo no joelho do menino e percebeu que ele estava mancando. Thayná disse ainda que enviou uma foto do joelho do menino para a mãe.
A mãe, então, pediu para falar com Henry por chamada de vídeo e o menino contou sobre as agressões sofridas.
A babá disse que foi orientada por Monique a apagar as mensagens para evitar que Jairinho tivesse acesso ao conteúdo. Ela diz que apagou algumas mensagens, mas não a conversa inteira.
Disse que Jairinho voltou ao apartamento em seguida, visivelmente exaltado, e perguntou à Henry: “O que falou pra sua mãe? Você gosta de ver sua mãe triste com o tio? Você mentiu pra sua mãe?”.
A troca de mensagens entre Monique e a babá, Thayná, ocorreram entre 16h20 e 18h03 do dia 12 de fevereiro, 26 dias antes da morte de Henry. De acordo com o relato da cuidadora, Henry mancava e quando foi dar banho nele, o garoto pediu para que ela não lavasse a cabeça, pois “estava com dor”.
O vereador foi preso na última quarta-feira (8) acusado de ter assassinado a criança. A mãe do menino também foi presa, acusada de tentar atrapalhas as investigações.
A polícia chegou a cogitar a prisão da babá, por falso testemunho. Contudo, permitiu que ela se retratasse em um novo depoimento.






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