Delegado do caso Henry afirma que ‘mentira poderia ter seguido’ sem mensagens da babá

Investigação apontou episódios anteriores de agressão contra Henry semanas antes da morte, segundo delegado

O segundo dia do julgamento do caso envolvendo a morte do menino Henry Borel foi marcado por um longo e tenso depoimento do delegado Henrique Damasceno, responsável pelas investigações iniciais do caso. Durante horas no II Tribunal do Júri da Capital, no Centro do Rio, o policial afirmou que mensagens encontradas no celular da babá da criança mudaram completamente os rumos da apuração.

Segundo Damasceno, os diálogos ajudaram a desmontar a versão apresentada inicialmente por Jairo Souza Santos Júnior e Monique Medeiros sobre a morte do menino. “Sem aquelas conversas, a mentira poderia ter seguido”, declarou o delegado diante dos jurados.

Mensagens mudaram investigação

De acordo com o delegado, as conversas encontradas no celular da babá Thayná de Oliveira Ferreira revelaram sinais anteriores de agressões sofridas por Henry dentro do apartamento onde vivia com a mãe e o então padrasto, na Barra da Tijuca.

Um dos trechos citados durante o depoimento relata um episódio ocorrido em fevereiro de 2021. Segundo Damasceno, a criança teria saído mancando de um quarto após permanecer sozinha com Jairinho, reclamando de dores na cabeça e chorando muito.

Ainda segundo o delegado, Monique levou Henry ao médico naquele mesmo dia, quando a criança passou por exames de raio-X.

Ao longo da audiência, Damasceno reforçou que não mudaria nenhuma das conclusões do inquérito produzido pela 16ª DP da Barra da Tijuca. “Não tem nada que eu queira modificar nas mais de 100 páginas do inquérito”, afirmou.

Clima tenso no tribunal

O depoimento provocou momentos de forte tensão entre acusação e defesa. Os advogados de Jairinho tentaram questionar a condução da investigação e insinuaram possível parcialidade da polícia.

Damasceno negou qualquer favorecimento e rebateu suspeitas de proximidade com Leniel Borel. Em outro momento, o delegado chamou atenção para o comportamento de familiares de Monique após a morte do menino.

“Me chamou atenção a avó não ter perguntado sobre o neto logo depois do ocorrido”, afirmou.

Imagens e laudos

Durante o depoimento, Damasceno voltou a citar imagens do circuito interno do condomínio onde Henry morava. Segundo ele, a análise da equipe de investigação indicou que o menino já estava sem reação quando foi levado ao elevador na madrugada de 8 de março de 2021.

O delegado também destacou que a perícia realizada pelo Instituto Médico Legal foi decisiva para esclarecer a causa da morte e afastar hipóteses de problemas de saúde naturais. “Nunca vi nada diferente do que deveria constar no IML”, declarou.

Defesas entram em conflito

O julgamento também ficou marcado por embates entre as defesas de Jairinho e Monique Medeiros. Advogados dos dois réus trocaram acusações indiretas durante a sessão, enquanto a juíza Elizabeth Machado Louro precisou intervir em diversos momentos.

A magistrada rejeitou pedidos apresentados pela defesa de Jairinho que buscavam adiar o julgamento e questionavam provas digitais e laudos periciais reunidos pela investigação.

Relembre o caso

Henry Borel morreu aos 4 anos, em março de 2021, no apartamento onde estava com a mãe e o então padrasto, na Barra da Tijuca, Zona Oeste do Rio.

O Ministério Público sustenta que Jairinho agrediu a criança e que Monique se omitiu diante das agressões. O ex-vereador responde por homicídio triplamente qualificado e tortura. Já Monique é acusada de homicídio por omissão e outros crimes relacionados ao caso. Ambos negam as acusações.

A previsão é de que o júri continue pelos próximos dias com depoimentos de delegados, peritos e testemunhas antes dos interrogatórios dos réus e da decisão do Conselho de Sentença.

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