O delegado Edson Henrique Damasceno, responsável pela investigação da morte de Henry Borel na época em que comandava a 16ª DP (Barra da Tijuca), afirmou nesta terça-feira (26), durante o segundo dia do julgamento de Jairinho e Monique Medeiros, que o casal criou uma “farsa ensaiada” para tentar enganar a polícia sobre as circunstâncias da morte do menino de 4 anos. O júri popular, iniciado ontem (25), foi retomado hoje para ouvir depoimentos de testemunhas consideradas centrais para a acusação.
“No decorrer da investigação, a gente mostrou que tudo era uma farsa ensaiada, que as versões apresentadas eram mentirosas e que as lesões que o menino sofreu eram incompatíveis com qualquer queda de cama. As lesões são gravíssimas”, declarou o delegado ao Tribunal do Júri.
Segundo Damasceno, o caso chegou inicialmente à delegacia como suspeita de acidente doméstico, mas as investigações rapidamente identificaram inconsistências nos relatos apresentados pelo então casal.
Delegado diz que Jairinho tentou impedir que corpo fosse encaminhado ao IML
Durante o depoimento, o delegado afirmou ainda que Jairinho tentou impedir que o corpo de Henry fosse encaminhado ao Instituto Médico-Legal (IML). De acordo com ele, o ex-vereador teria procurado um “alto executivo” do Hospital Barra D’Or para pedir que o óbito fosse atestado na própria unidade de saúde.
“Ele não queria que o corpo fosse encaminhado ao IML”, afirmou.
O hospital, no entanto, determinou o encaminhamento do corpo para perícia. Foi no IML que os exames identificaram múltiplas lesões incompatíveis com a versão apresentada pelos réus.
“Se o corpo não tivesse ido para o IML, a mentira iria seguir. Se não tivessem os prints mostrando as agressões, a mentira iria seguir”, disse o delegado.
‘Ela sabia’, diz Damasceno sobre Monique
Damasceno afirmou ainda que Monique tinha conhecimento das agressões sofridas por Henry antes da morte da criança.
“Ela sabia disso e, mesmo assim, quando o menino morreu por ação contundente, com somente ela, o menino e o Jairo em casa, foi à delegacia dizer que o Jairinho tinha um relacionamento maravilhoso com ele”, declarou.
O delegado também relatou um episódio anterior à morte do menino, quando Henry foi levado a uma unidade de saúde em Bangu com lesões suspeitas. Segundo ele, Monique apresentou na ocasião a mesma justificativa usada depois da morte do filho.
“Ela disse que ele tinha caído da cama, curiosamente a mesma versão que foi dada quando Henry morreu”, afirmou.
A investigação também identificou um episódio de agressão ocorrido em fevereiro de 2021, revelado a partir da análise do celular de Monique Medeiros. Segundo Damasceno, conversas entre Monique e a babá da criança mostravam que Henry havia sido levado por Jairinho para um quarto e trancado no local.
“Esses prints mostravam uma situação extremamente grave. A Rosângela [empregada doméstica] relatou que viu o menino mancando e saindo do quarto com dor na cabeça”, disse.
De acordo com o delegado, Henry ficou desesperado ao ser levado para o quarto pelo padrasto.
“Quando o Jairinho tirou ele do colo da Thayná para levá-lo ao quarto, o menino chegou a rasgar a blusa dela. Depois, saiu desesperado e voltou para o colo da babá”, relatou.
Ainda segundo a investigação, mensagens analisadas pela polícia contradizem a versão apresentada inicialmente por Monique. Ela alegou ter voltado rapidamente para casa após ser alertada pela babá, mas os registros indicariam que permaneceu durante horas em um salão de beleza antes de retornar ao apartamento.
Henry Borel morreu em março de 2021, aos 4 anos. Jairinho e Monique respondem por homicídio triplamente qualificado, tortura, fraude processual e coação no curso do processo. O julgamento ocorre no 2º Tribunal do Júri da Capital, no Centro do Rio, e a previsão é de que dure até a próxima semana. A babá Thayná deve ser ouvida nos próximos dias pelo Tribunal do Júri.





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