Apontado pela Polícia Federal como peça-chave na aproximação entre o banqueiro Daniel Vorcaro e o ex-governador Cláudio Castro, o empresário Ricardo Siqueira Rodrigues é um dos alvos de mandado de busca e apreensão da Polícia Federal, nesta terça-feira (26).
A Operação Compliance Zero apura movimentações suspeitas envolvendo cerca de R$ 3 bilhões do Rioprevidência aplicados em operações ligadas ao Banco Master.
Segundo a PF, Rodrigues atuava como intermediador político e financeiro nas negociações entre o banco e o governo do Rio. A investigação sustenta que ele participou da articulação que permitiu os investimentos do fundo de previdência estadual em produtos financeiros ligados ao conglomerado controlado por Daniel Vorcaro.
A decisão do ministro do Supremo Tribunal Federal André Mendonça descreve o empresário como “articulador, captador e lobista”, com atuação direta na aproximação entre empresários e agentes públicos com influência sobre fundos de previdência.
Papel no caso Banco Master
De acordo com a investigação, Rodrigues teria informado a Vorcaro que o Rioprevidência possuía um “dono” responsável por autorizar operações financeiras do órgão. Em outro trecho citado pela PF, ele comemora o alcance de metas de captação em apenas 45 dias e projeta novas movimentações bilionárias nos meses seguintes.
Os investigadores também apontam que uma empresa ligada ao empresário, a Mídias Promotora Ltda, recebeu R$ 126 milhões do Banco Master entre 2022 e 2025. Segundo a PF, a companhia teria sido utilizada para receber e distribuir comissões relacionadas às operações investigadas. As informações foram divulgadas pela Folha de São Paulo.
A decisão judicial afirma ainda que a empresa estaria registrada em nome de um “laranja” e teria servido para dar aparência legal à circulação de recursos supostamente ilícitos.
Passagem pela Lava-Jato
Ricardo Siqueira Rodrigues já havia se tornado conhecido durante a Operação Lava-Jato. Em 2018, ele era apontado como um dos principais operadores do mercado de fundos de pensão do país e passou a ser investigado na Operação Rizoma, que mirava desvios financeiros envolvendo esses fundos.
Posteriormente, o empresário firmou acordo de colaboração com investigadores. Entre os relatos prestados, afirmou que auditores da Receita Federal abordavam investigados para cobrar pagamentos ilegais em troca de benefícios.
Rodrigues também acusou o advogado Nythalmar Dias Ferreira de oferecer suposto acesso privilegiado ao então juiz Marcelo Bretas, que conduzia os processos da Lava-Jato no Rio. O advogado negou as acusações e classificou as declarações como “obscenas”.
Citação no ‘QG da Propina’
O nome do empresário também apareceu nas investigações sobre o chamado ‘QG da Propina’, caso envolvendo a gestão do ex-prefeito Marcelo Crivella na Prefeitura do Rio.
Na ocasião, Rodrigues afirmou aos investigadores que um restaurante de sua propriedade teria sido usado como fachada para o recebimento de R$ 1 milhão em propina por Rafael Alves, apontado como operador financeiro do esquema.
Após a revelação, o estabelecimento foi alvo de disparos. Segundo o empresário, o ataque teria sido uma forma de retaliação.
Multa milionária da CVM
Além das investigações criminais, Rodrigues também foi alvo de processo na Comissão de Valores Mobiliários (CVM). Em dezembro de 2024, o órgão aplicou multa de R$ 53,3 milhões ao empresário por irregularidades relacionadas à construção de um hotel na Barra da Tijuca, na Zona Oeste do Rio.
O caso envolvia um fundo de investimento criado para financiar o empreendimento com recursos captados junto a entidades de previdência complementar.
Segundo relatório da CVM, havia suspeitas de superavaliação do projeto, venda de cotas com valores artificiais e pagamentos a fornecedores ligados aos idealizadores do negócio sem comprovação adequada da prestação de serviços.
A reportagem não conseguiu localizar a defesa do citado. O esaço segue aberto para eventuais manifestações.





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