Quaest: 65% dizem que Flávio Bolsonaro sabia da corrupção de Vorcaro e errou ao pedir dinheiro para filme

Pesquisa mostra que maioria dos brasileiros vê com desconfiança relação do senador com ex-banqueiro preso e avalia que caso pode gerar desgaste à pré-campanha presidencial

A relação entre o senador Flávio Bolsonaro (PL) e o banqueiro Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master e atualmente preso sob acusação de fraude bilionária, passou a representar um fator de desgaste para o pré-candidato à Presidência da República, segundo aponta pesquisa Genial/Quaest divulgada nesta quarta-feira (10).

O levantamento revela que 65% dos brasileiros consideram que Flávio Bolsonaro errou ao solicitar financiamento de Vorcaro para o filme “Dark Horse”, produção que retrata a trajetória política de seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). Apenas 17% dos entrevistados avaliam que o pedido foi adequado e que a negociação “não tem nada de mais”. Outros 18% não souberam ou preferiram não responder.

Os números indicam que a repercussão do caso ultrapassou as fronteiras da polarização política tradicional e alcançou diferentes segmentos do eleitorado. A avaliação negativa aparece como predominante entre apoiadores do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), eleitores de esquerda não alinhados ao petista, independentes e até mesmo entre eleitores que se identificam com a direita, mas não integram o núcleo bolsonarista.

Entre os bolsonaristas, o tema divide opiniões. Nesse grupo, 42% afirmam que o senador deveria ter evitado buscar apoio financeiro junto ao banqueiro, percentual idêntico ao dos que consideram a negociação algo normal.

Desconfiança predomina entre os entrevistados

A pesquisa também mediu a percepção dos brasileiros sobre as mensagens e conversas reveladas envolvendo Flávio Bolsonaro e Daniel Vorcaro.

Segundo o levantamento, 60% dos entrevistados afirmam que as tratativas divulgadas levantam suspeitas sobre a relação entre o senador e o banqueiro. Em sentido oposto, apenas 19% classificaram as conversas como normais. Outros 21% não souberam responder.

Quando questionados sobre a possibilidade de envolvimento irregular do parlamentar no caso Banco Master, 58% disseram acreditar que Flávio Bolsonaro pode estar escondendo algum tipo de participação ilegal. Já 27% afirmaram confiar que ele não está envolvido. O restante não soube opinar.

Mesmo entre os eleitores bolsonaristas, um terço dos entrevistados afirmou que as conversas despertaram suspeitas. Nesse segmento, 33% disseram que os diálogos levantam dúvidas, enquanto 46% consideraram as tratativas normais.

Por outro lado, a maioria dos apoiadores do ex-presidente Jair Bolsonaro não vê indícios de participação irregular do senador. Entre eles, 72% acreditam que Flávio não está envolvido em qualquer ilegalidade relacionada ao caso, enquanto 15% avaliam o contrário.

O levantamento mostra ainda que 29% dos bolsonaristas acreditam que o senador tinha conhecimento prévio dos problemas envolvendo Daniel Vorcaro, enquanto 62% afirmam que ele não sabia da situação.

Caso ainda era desconhecido por parte do eleitorado

Apesar da ampla repercussão política, a pesquisa indica que uma parcela significativa da população ainda não tinha conhecimento do caso.

Segundo a Quaest, 55% dos brasileiros disseram já ter ouvido falar das conversas e negociações entre Flávio Bolsonaro e Daniel Vorcaro. Em contrapartida, 44% afirmaram desconhecer completamente o assunto até serem questionados pelos pesquisadores.

O dado sugere que o episódio ainda possui potencial para ampliar sua influência sobre o debate político nacional à medida que se torna mais conhecido pelo eleitorado.

Impacto eleitoral limitado até o momento

Embora a percepção sobre o caso seja majoritariamente negativa, a pesquisa aponta que o impacto direto na intenção de voto ainda é relativamente restrito.

Metade dos entrevistados, equivalente a 50%, afirmou que as revelações não alteram sua posição porque já não votaria em Flávio Bolsonaro de qualquer forma. Outros 26% disseram que continuam dispostos a votar no senador, independentemente das notícias divulgadas.

Já 12% dos brasileiros afirmaram que as informações reduziram sua disposição de votar no parlamentar. Apenas 6% disseram que o episódio aumentou a vontade de apoiá-lo nas urnas.

Os números indicam que, embora o caso tenha potencial para desgastar a imagem do pré-candidato, seu efeito eleitoral ainda está em processo de consolidação.

O que está em investigação

A polêmica ganhou força após a divulgação de mensagens e áudios pelo portal Intercept Brasil. O material aponta que Flávio Bolsonaro buscou apoio financeiro de Daniel Vorcaro para viabilizar o filme “Dark Horse”, dedicado à trajetória de Jair Bolsonaro.

Segundo as informações reveladas, cerca de R$ 61 milhões teriam sido efetivamente destinados ao projeto. O senador também confirmou ter visitado o banqueiro em sua residência após a primeira prisão dele, ocorrida no fim do ano passado.

De acordo com Flávio Bolsonaro, o encontro teve como objetivo “botar ponto final” nas negociações relacionadas ao financiamento do filme.

Pré-campanha tenta reagir

Diante da repercussão do caso, aliados do senador passaram a concentrar esforços em pautas tradicionalmente associadas ao eleitorado conservador, especialmente propostas de endurecimento da legislação penal e iniciativas voltadas ao combate ao crime organizado.

A estratégia também inclui reforçar a imagem internacional de Flávio Bolsonaro por meio da aproximação com lideranças estrangeiras. Entre os episódios explorados pela pré-campanha está a divulgação de imagens ao lado do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que recentemente classificou facções criminosas brasileiras como organizações terroristas.

Nos bastidores da direita, porém, o episódio ocorre em um momento delicado para o senador. O desgaste provocado pelo caso Banco Master passou a alimentar discussões sobre possíveis alternativas ao seu nome para representar o campo conservador na disputa presidencial de 2026.

Entre os nomes citados por lideranças do setor estão a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro, o governador de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo), e o governador de Goiás, Ronaldo Caiado (PSD).

A pesquisa Genial/Quaest ouviu 2.004 brasileiros com 16 anos ou mais entre os dias 5 e 8 de junho. O levantamento possui margem de erro de dois pontos percentuais para mais ou para menos, nível de confiança de 95% e registro na Justiça Eleitoral sob o número BR-07661/2026.

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