Jorge Canella preso e Verônica Costa foragida: relembre vereadores e ex-vereadores do Rio presos ou condenados nos últimos anos

Recorte reúne casos desde 2020 e inclui prisões em flagrante e preventivas e condenações; há também episódios em que investigações foram posteriormente trancadas ou a prisão considerada indevida

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A prisão em flagrante do vereador Jorge Canella (União Brasil), na terça-feira (22), e o mandado expedido contra a ex-vereadora Verônica Costa, considerada foragida nesta quinta-feira (24), colocaram nesta semana dois nomes com passagem pela Câmara Municipal do Rio no noticiário policial.

Os casos se somam a uma série de episódios envolvendo vereadores e ex-vereadores da capital nos últimos seis anos. A lista inclui nomes como Dr. Jairinho e Gabriel Monteiro a Cristiano Girão.

As situações, no entanto, são diferentes. Há políticos já condenados, outros que foram presos preventivamente sem condenação no processo e casos que tiveram decisões posteriores favoráveis aos investigados.

Verônica Costa

A ex-vereadora Verônica Costa | Foto: Divulgação/CMRJ

Empresária e ex-vereadora, Verônica Costa, conhecida como Mãe Loira do Funk, teve um mandado de prisão expedido pela Justiça após o esgotamento de recursos contra sua condenação por tortura do ex-marido, Márcio Costa. Nesta quinta-feira (24), ela era considerada foragida e procurada pela Polícia Civil. Agentes fizeram buscas em endereços ligados à ex-parlamentar, mas não conseguiram localizá-la. A pena, inicialmente fixada em cinco anos e dez meses, foi elevada em 2023 para 10 anos e oito meses

Verônica ocupou a Câmara do Rio por cinco mandatos entre 2001 e 2024, passando por partidos como Republicanos, PL, DEM, e MDB. Foi eleita para a primeira legislatura em 2000, assumindo a cadeira no ano seguinte, onde ficou até 2008. Retornou em 2013 e seguiu até 2024 no parlamento, quando foi impedida de concorrer a novos cargos devido à condenação.

Jorge Canella

Vereador Jorge Canella (União) | Foto: Reprodução/Redes sociais

Jorge Eduardo Barreto de Andrade Filho, o Jorge Canella, foi preso em flagrante pela Polícia Federal na última terça-feira, durante uma operação que cumpriu mandados de busca e apreensão em endereços ligados ao vereador e em seu gabinete na Câmara Municipal. As ordens foram expedidas pelo Supremo Tribunal Federal (STF).

Segundo a PF, dois fuzis e uma submetralhadora de uso restrito foram encontrados na casa de Canella na Barra da Tijuca, o que levou à prisão do vereador, que é coronel da PM. O parlamentar foi levado à Superintendência da Polícia Federal. Ele era alvo de uma investigação relacionada ao caso do fuzil encontrado no carro do ex-prefeito de Belford Roxo Márcio Canella (União Brasil), que chegou a ser preso em julho e solto em seguida.

A defesa do parlamentar disse que todas as armas eram de propriedade dele e estavam legalizadas e que “o único questionamento que ensejou o encaminhamento do vereador à Superintendência da PF foi a divergência de endereço de registro das armas, procedimento administrativo que já vinha sendo adotado por ele, em razão de mudança de endereço recente”. Também afirmou que o vereador “esclarecerá todos os questionamentos o mais breve possível para que a verdade seja restabelecida”.

Salvino Oliveira

Vereador Salvino Oliveira (PSD) | Foto: Divulgação / CMRJ

O vereador Salvino Oliveira (PSD) foi preso em março deste ano, durante uma operação da Polícia Civil que investigava uma suposta ligação entre o parlamentar e integrantes do Comando Vermelho. Na época, durante a gestão de Cláudio Castro (PL), a investigação apontava que ele teria negociado com uma liderança da facção autorização para atuar politicamente na Gardênia Azul.

Salvino, que chegou a ter o sigilo telefônico quebrado, foi solto dois dias depois e, em maio, a Justiça determinou o trancamento do inquérito. A decisão apontou que não havia “justa causa” para manter a investigação e “flagrantes ilegalidades” na condução do caso, além de citar indícios de possível uso do aparato policial para “fins de perseguição política”.

Dr. Jairinho

Dr. Jairinho foi vereador da Câmara do Rio de 2005 a 2021, quando teve o mandato cassado — Foto: Reprodução/CMRJ

Jairo Souza Santos Júnior, o Dr. Jairinho, era vereador quando foi preso, em abril de 2021, durante a investigação sobre a morte de Henry Borel, de 4 anos. Padrasto do menino e então companheiro de Monique Medeiros, mãe de Henry, Jairinho teve o mandato cassado pela Câmara. Ex-médico, teve ainda o registro da profissão cassado pelo Conselho Regional de Medicina do Rio de Janeiro (Cremerj)

Em junho deste ano, após um julgamento de 11 dias e mais de cinco anos desde o crime, Jairo foi condenado a 43 anos, nove meses e 20 dias de prisão pela morte do menino. Os jurados o consideraram culpado por homicídio duplamente qualificado e por crime de tortura.

Na Câmara, Jairinho integrou a Comissão de Justiça e Redação, um dos principais colegiados, que avalia a constitucionalidade de todos os processos que dão entrada na Casa, e atuou como liderança de governo. Nos bastidores, também teria chegado a ser cotado para uma vaga no Tribunal de Contas do Município (TCM).

Chiquinho Brazão

Chiquinho Brazão foi vereador entre 2005 e 2019 | Foto: Divulgação / CMRJ

Os irmãos Chiquinho e Domingos Brazão também passaram pela Câmara do Rio antes de ocuparem outros cargos públicos.

João Francisco Inácio Brazão, o Chiquinho Brazão, foi vereador entre 2005 e fevereiro de 2019, passando pelo PMDB e Avante. Ao todo, somou quatro legislaturas e ainda exercia mandato quando Marielle Franco e Anderson Gomes foram assassinados, em março de 2018. Ele foi preso em março de 2024, quando era deputado federal.

Na Câmara, Chiquinho presidiu, entre polêmicas, a CPI dos Ônibus, que tinha como objetivo investigar supostas irregularidades no transporte coletivo do Rio. Deixou a cadeira no parlamento municipal para disputar a eleição para a Câmara dos Deputados em 2018, sendo eleito para o primeiro mandato com 25.817 votos e assumindo no ano seguinte, onde ficou até ser preso como um dos mandantes da morte de Marielle e Anderson.

Domingos Brazão

Domingos Brazão foi vereador da Câmara do Rio antes de se eleger para Alerj | Foto: Divulgação / Alerj

Assim como o irmão, Domingos Brazão foi vereador do Rio, ocupando cadeira entre 1997 e 1999, antes de se eleger deputado estadual e posteriormente assumir uma vaga no Tribunal de Contas do Estado.

Ficou apenas dois anos na Câmara, mas chegou a presidir colegiados, como a Comissão Permanente de Abastecimento, Indústria, Comércio e Agricultura, e integrar CPIs que investigavam diversos assuntos, entre reboques, terceirização da gestão dos hospitais e planos de saúde.

Em fevereiro deste ano, o Supremo Tribunal Federal condenou Domingos e Chiquinho a 76 anos e três meses de prisão pelos homicídios de Marielle e Anderson, pela tentativa de homicídio da assessora Fernanda Chaves e por organização criminosa.

Cristiano Girão

Cristiano Girão foi vereador de janeiro de 2009 a outubro de 2010 | Divulgação / CMRJ

O ex-vereador Cristiano Girão foi preso em julho de 2021, em São Paulo, após ser denunciado pelo Ministério Público do Rio pelas mortes de André Henrique da Silva Souza, o Zóio, e Juliana Sales de Oliveira, ocorridas em 2014 na Gardênia Azul.

Segundo a acusação, Girão contratou o ex-PM Ronnie Lessa para executar o rival em meio a uma disputa pelo controle da milícia que atuava na região. Em maio de 2025, o ex-vereador foi condenado a 45 anos de prisão como mandante do duplo homicídio. De acordo com os promotores, as mortes foram causadas por disputas de território na região da Gardênia Azul.

Ele ocupou um curto mandato na Câmara Municipal, ficando apenas de janeiro de 2009 a outubro 2010, após ser condenado e preso por chefiar a milícia da Gardênia Azul, em Jacarepaguá. Condenado a 14 anos de prisão, ficou sem possibilidade de comparecer às sessões plenárias e, por faltar a mais de um terço dos encontros, teve a perda do mandato político decretada pela Mesa Diretora.

Gabriel Monteiro

Gabriel Monteiro teve o mandato de vereador cassado pela Câmara do Rio em 2022 | Foto: Divulgação / CMRJ

Gabriel Monteiro foi preso preventivamente em novembro de 2022, poucos meses depois de ter o mandato de vereador cassado pela Câmara por quebra de decoro parlamentar em meio a denúncias de estupro. A prisão ocorreu após o então parlamentar ser denunciado por estupro.

As acusações no processo étnico-disciplinar que levaram à cassação do vereador incluíam filmagem de cena sexo com adolescente de 15 anos, agressão e ameaça à pessoa em situação de rua, edição e manipulação de vídeos monetizados e exposição vexatória de crianças. A cassação do mandato foi aprovada por 48 dos 50 vereadores presentes, contando com duas abstenções. Gabriel sempre negou as acusações

Ele permaneceu preso até março de 2025, quando uma decisão do Superior Tribunal de Justiça determinou sua soltura, com uso de tornozeleira eletrônica e outras medidas cautelares. Por conta da perda do mandato, ficou no legislativo municipal, segundo os registros no site da Câmara, de janeiro de 2021 a agosto de 2022, passando pelo PSD e PL.

Jerominho

Jerominho foi morto a tiros em Campo Grande, em 2022 | Reprodução

Jerônimo Guimarães Filho, o Jerominho, ex-vereador e apontado pela Polícia Civil como fundador da milícia Liga da Justiça, que chegou a ser preso enquanto exercia mandato na Câmara, voltou a ser preso em janeiro de 2022 por causa de uma condenação por extorsão qualificada contra motoristas de vans em Campo Grande.

A prisão durou poucos dias. Em fevereiro, a Vara de Execuções Penais determinou a soltura após reconhecer que Jerominho já havia cumprido a pena durante o período em que permaneceu preso entre 2007 e 2018. Essa prisão, aliás, ocorreu um ano antes do então parlamentar completar seu segundo mandato na Câmara Municipal, para onde foi eleito pelo PMDB nos anos 2000. Na Casa, presidiu a comissão de Comércio e Agricultura e foi vice-presidente do colegiado de Constituição, Justiça e Redação.

Jerominho foi morto a tiros em agosto de 2022, em Campo Grande.

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