Flamengo pode perder R$ 268,5 milhões se bets romperem patrocínios

Patrocínios das bets aos clubes da Série A chegaram a R$ 1,03 bilhão em 2025; equipes iniciaram sondagens por novos parceiros

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As empresas de apostas esportivas começaram a avisar clubes brasileiros de que poderão encerrar imediatamente contratos de patrocínio caso o governo Lula determine a proibição total das bets no país. A possibilidade já levou equipes da Série A a iniciar sondagens no mercado em busca de empresas capazes de substituir os atuais parceiros.

O impacto pode ser especialmente elevado para o Flamengo. Dono do maior contrato entre um clube brasileiro e uma casa de apostas, o time carioca recebe R$ 268,5 milhões por ano da Betano, em um acordo de três anos e quatro meses.

Até agora, quatro empresas começaram a se movimentar: Betano, patrocinadora do Flamengo; Novibet, do Santos; Superbet, de São Paulo e Fluminense; e Esportes da Sorte, do Corinthians.

Flamengo já procura alternativas

Segundo a Folha de S.Paulo, o Flamengo está entre os primeiros clubes a estudar alternativas diante da possibilidade de perder o patrocínio.

As empresas ainda aguardam a definição do governo antes de decidir se efetivamente romperão os contratos. Caso seja determinada uma proibição completa das apostas on-line, porém, representantes do setor consideram inevitável a interrupção dos acordos.

Mesmo uma medida menos abrangente pode atingir o futebol. Caso o governo decida proibir somente cassinos on-line, como o chamado jogo do tigrinho, os contratos também poderiam passar por renegociação.

Pessoas envolvidas nas operações das empresas estimam que os jogos on-line chegam a representar até 80% do faturamento do setor. Uma queda dessa magnitude nas receitas poderia provocar redução dos valores destinados aos clubes.

Bets colocaram R$ 1 bilhão na Série A

A dimensão financeira da discussão aumentou nos últimos anos. Em 2025, as empresas de apostas destinaram aproximadamente R$ 1,03 bilhão aos clubes da Série A do Campeonato Brasileiro, segundo levantamento da consultoria Convocados.

O valor representou crescimento de cerca de 66% sobre os R$ 618 milhões registrados no ano anterior.

Apesar do avanço, os recursos das bets corresponderam a 7,2% das receitas totais de R$ 14,3 bilhões dos clubes que integravam a elite do futebol brasileiro em 2025.

Na semana passada, clubes divulgaram um manifesto conjunto contra uma eventual extinção do mercado regulamentado. As equipes defenderam o combate às empresas ilegais, maior fiscalização e aperfeiçoamento das medidas de proteção aos apostadores.

Os clubes argumentam que o setor regulamentado se transformou em importante fonte de receitas. Organizações favoráveis a restrições, por outro lado, apontam impactos sociais relacionados ao endividamento e à dependência em apostas.

Decisão do governo é aguardada

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) intensificou nos últimos dias suas críticas às casas de apostas e afirmou, durante evento de campanha no Rio de Janeiro, que pretende acabar com as bets.

“Isso não é uma guerra, é uma decisão: nós vamos acabar com as bets”, declarou Lula na quarta-feira (23).

O formato definitivo da medida, entretanto, ainda não havia sido oficialmente divulgado. Entre as possibilidades discutidas estão a proibição total das apostas on-line ou uma restrição concentrada nos cassinos virtuais.

A reação do setor já ultrapassa o futebol. Empresas de apostas também notificaram emissoras de televisão sobre a possibilidade de encerrar contratos publicitários, enquanto entidades que representam as plataformas ameaçam recorrer à Justiça para tentar recuperar os R$ 30 milhões pagos por outorga e buscar ressarcimento de investimentos caso o mercado seja proibido.

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