As empresas de apostas esportivas começaram a avisar clubes brasileiros de que poderão encerrar imediatamente contratos de patrocínio caso o governo Lula determine a proibição total das bets no país. A possibilidade já levou equipes da Série A a iniciar sondagens no mercado em busca de empresas capazes de substituir os atuais parceiros.
O impacto pode ser especialmente elevado para o Flamengo. Dono do maior contrato entre um clube brasileiro e uma casa de apostas, o time carioca recebe R$ 268,5 milhões por ano da Betano, em um acordo de três anos e quatro meses.
Até agora, quatro empresas começaram a se movimentar: Betano, patrocinadora do Flamengo; Novibet, do Santos; Superbet, de São Paulo e Fluminense; e Esportes da Sorte, do Corinthians.
Flamengo já procura alternativas
Segundo a Folha de S.Paulo, o Flamengo está entre os primeiros clubes a estudar alternativas diante da possibilidade de perder o patrocínio.
As empresas ainda aguardam a definição do governo antes de decidir se efetivamente romperão os contratos. Caso seja determinada uma proibição completa das apostas on-line, porém, representantes do setor consideram inevitável a interrupção dos acordos.
Mesmo uma medida menos abrangente pode atingir o futebol. Caso o governo decida proibir somente cassinos on-line, como o chamado jogo do tigrinho, os contratos também poderiam passar por renegociação.
Pessoas envolvidas nas operações das empresas estimam que os jogos on-line chegam a representar até 80% do faturamento do setor. Uma queda dessa magnitude nas receitas poderia provocar redução dos valores destinados aos clubes.
Bets colocaram R$ 1 bilhão na Série A
A dimensão financeira da discussão aumentou nos últimos anos. Em 2025, as empresas de apostas destinaram aproximadamente R$ 1,03 bilhão aos clubes da Série A do Campeonato Brasileiro, segundo levantamento da consultoria Convocados.
O valor representou crescimento de cerca de 66% sobre os R$ 618 milhões registrados no ano anterior.
Apesar do avanço, os recursos das bets corresponderam a 7,2% das receitas totais de R$ 14,3 bilhões dos clubes que integravam a elite do futebol brasileiro em 2025.
Na semana passada, clubes divulgaram um manifesto conjunto contra uma eventual extinção do mercado regulamentado. As equipes defenderam o combate às empresas ilegais, maior fiscalização e aperfeiçoamento das medidas de proteção aos apostadores.
Os clubes argumentam que o setor regulamentado se transformou em importante fonte de receitas. Organizações favoráveis a restrições, por outro lado, apontam impactos sociais relacionados ao endividamento e à dependência em apostas.
Decisão do governo é aguardada
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) intensificou nos últimos dias suas críticas às casas de apostas e afirmou, durante evento de campanha no Rio de Janeiro, que pretende acabar com as bets.
“Isso não é uma guerra, é uma decisão: nós vamos acabar com as bets”, declarou Lula na quarta-feira (23).
O formato definitivo da medida, entretanto, ainda não havia sido oficialmente divulgado. Entre as possibilidades discutidas estão a proibição total das apostas on-line ou uma restrição concentrada nos cassinos virtuais.
A reação do setor já ultrapassa o futebol. Empresas de apostas também notificaram emissoras de televisão sobre a possibilidade de encerrar contratos publicitários, enquanto entidades que representam as plataformas ameaçam recorrer à Justiça para tentar recuperar os R$ 30 milhões pagos por outorga e buscar ressarcimento de investimentos caso o mercado seja proibido.







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