As empresas de apostas começaram a se preparar para uma eventual proibição ou endurecimento das regras do setor pelo governo Lula. Plataformas que patrocinam atrações da televisão aberta notificaram emissoras de que poderão rescindir contratos comerciais caso as novas medidas inviabilizem o funcionamento das bets no Brasil.
Segundo informações da coluna Outro Canal, da Folha de S.Paulo, Globo, Band e RedeTV! estão entre as emissoras notificadas. Betano, Novibet, Superbet e Esportes da Sorte são algumas das empresas que já iniciaram o movimento.
A reação ocorre enquanto o governo discute novas restrições às apostas on-line. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) vem intensificando publicamente as críticas ao setor e deve anunciar nesta sexta-feira (25), em São Paulo, medidas relacionadas às bets.
R$ 153 milhões em publicidade
Uma eventual saída das casas de apostas pode abrir um rombo importante no mercado publicitário da televisão.
Somente em agosto, as bets investiram R$ 153 milhões em intervalos comerciais e cotas de patrocínio na TV aberta, segundo dados da Tunad, empresa especializada no monitoramento de publicidade, citados pela Folha.
As plataformas estão atualmente entre os principais anunciantes da televisão brasileira e também ocupam espaços relevantes em transmissões esportivas.
Diante da possibilidade de restrições, departamentos comerciais das emissoras já começaram a procurar empresas de outros segmentos interessadas em ocupar espaços atualmente comprados pelas bets.
A Record antecipou parte desse movimento e decidiu não negociar com a Betano uma cota de patrocínio do reality show “A Fazenda”. A empresa de apostas patrocinava a atração desde 2021.
A Band, por sua vez, terá de avaliar contratos que incluem até os naming rights de atrações esportivas, como “Jogo Aberto” e “Os Donos da Bola”.
Clubes também são notificados
O movimento não está limitado à televisão. As plataformas começaram a notificar clubes da Série A do Campeonato Brasileiro sobre a possibilidade de rompimento dos contratos de patrocínio.
A avaliação das empresas é que uma eventual proibição das apostas poderia inviabilizar a continuidade dos acordos comerciais. Sem possibilidade de operar no país, argumenta o setor, deixaria de fazer sentido manter investimentos em publicidade e patrocínios.
As bets ocupam atualmente alguns dos espaços comerciais mais valorizados das camisas de clubes brasileiros e têm forte presença nas transmissões de futebol.
O movimento amplia a pressão econômica em torno das medidas que estão sendo discutidas pelo governo, já que uma proibição poderia atingir simultaneamente empresas de comunicação e equipes esportivas.
Governo prepara novas medidas
Lula vem endurecendo o discurso contra as apostas nas últimas semanas. O presidente tem relacionado o crescimento das bets a problemas como endividamento familiar e dependência em jogos.
Em entrevista recente ao podcast Desce a Letra Show, Lula comparou os efeitos da dependência das apostas aos provocados pelo crack.
“Você lembra quando surgiu o crack? O cara viciado, ele chegava em casa, vendia o botijão. As bets estão assim. As pessoas estão vendendo o que não têm, se endividando”, afirmou o presidente.
Integrantes do governo discutem diferentes alternativas para restringir o setor. Entre as possibilidades que vêm sendo avaliadas estão medidas contra cassinos on-line e até uma proibição mais abrangente das apostas virtuais.
Representantes das empresas, por outro lado, argumentam que um veto pode provocar insegurança jurídica, estimular o mercado clandestino e afetar investimentos feitos depois da regulamentação.
As bets também ameaçam recorrer à Justiça para tentar recuperar os R$ 30 milhões pagos por outorga e buscar ressarcimento por investimentos caso uma eventual proibição impeça a continuidade das operações.







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