Opinião

Informar partido dos candidatos ao eleitor não é papel da Quaest

Para Mario Marques, questionário da Quaest vai distorcer os números dos postulantes para cima

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A nova pesquisa Quaest para o estado do Rio de Janeiro, registrada no TSE sob o número RJ-08748/2026, com 1.302 entrevistas, contratada pela TV Globo, traz um manejo absolutamente distorcido no seu questionário, que muda todo o panorama do resultado. Diferentemente das pesquisas DataFolha, Paraná Pesquisas e Prefab, que também saem por agora, a Quaest põe o nome dos partidos ao lado dos candidatos e ainda pede ao entrevistador para ler os nomes. Um total descompromisso com o que realmente vai na mente do eleitor.

Ora, num cenário no estado do Rio no qual quase 80% não sabem em quem votar para governador no modelo espontâneo, essa percepção de desconhecimento factual não pode ser alterada dando informações adicionais ao eleitor. Isso é, claramente, um formato equivocado e distorcido, que pode levar os números percentuais dos partidos ideológicos e mais conhecidos para cima.

A outra questão é que, em hipótese nenhuma, o entrevistador deveria ler os nomes de candidatos e partidos, conforme o questionário oficial da Quaest orienta. Em tese e na prática, o eleitor precisa olhar para uma cartela circular e fazer sua livre escolha sem nenhum tipo de interferência.

Da forma como está o questionário da Quaest, os números tendem a subir, demonstrando uma possível arrancada de decisão do eleitor que absolutamente não existe.

A Quaest defende uma tese maluca e desconectada com a realidade das pesquisas de “eleitores independentes”, que só os leigos compram como exequível. Ora, como tratar eleitores como “independentes” se você os alimenta com informações complementares para que tomem a decisão de voto?

As pesquisas qualitativas, que são investigações da mente do eleitor, gerando sentimento, percepção e análises mais profundas, são o foro adequado para medir a população, dando-lhe informações que, possivelmente, não tem. Na quantitativa, não. Na quantitativa, é preciso que o entrevistador de campo fale o mínimo possível, o básico, e deixe o eleitor escolher livremente.

Tanto DataFolha quanto Prefab Future e Paraná Pesquisas saem na semana que vem sem essa arrumação tosca. O resultado da Quaest vai surpreender se seus números não voarem para cima, o que deve gerar estranhamento, especialmente aos que analisam tecnicamente as pesquisas de intenção de votos. Porque se os números dos candidatos subirem, o que é provável, é distorção da decisão por informar partidos; se não subirem, é pior: indubitavelmente corrigiram o resultado sabe-se lá como.

O ponto mais importante é que, se o eleitor do estado do Rio de Janeiro está desconectado e desinformado sobre eleições e candidatos, não cabe a Quaest informá-lo.

Esse papel não é da Quaest.

Esse papel é, exclusivo, dos candidatos.

Mario Marques é jornalista, escritor e CEO da LabPop Group

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Este é um artigo de opinião, de responsabilidade do autor, e não reflete a opinião do Agenda do Poder.

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