Indonésios reagem a críticas de brasileiros e “invadem” perfil de Lula após morte de Juliana Marins

Usuários da Indonésia comentaram sobre a morte da jovem no perfil do presidente em resposta a brasileiros que culpam o país por demora no resgate.

Após a comoção nacional provocada pela morte da brasileira Juliana Marins durante uma trilha no Monte Rinjani, na Indonésia, uma nova frente de tensão ganhou força nas redes sociais: usuários indonésios começaram a “invadir” o perfil oficial do presidente Luiz Inácio Lula da Silva no Instagram com uma série de críticas e comentários irônicos — uma reação direta às mensagens de indignação publicadas por brasileiros contra o governo da Indonésia nos últimos dias.

A onda de manifestações teve início após a repercussão do caso de Juliana, de 33 anos, que caiu em uma trilha no dia 21 de junho e só teve o corpo resgatado quatro dias depois. Ela chegou a ser localizada com vida por drones, presa entre pedras, mas não recebeu socorro a tempo. A família afirma que houve negligência nas operações de resgate e cobra explicações do governo indonésio. O laudo da autópsia, divulgado na sexta-feira (27), indicou que Juliana sofreu fraturas múltiplas e lesões internas, sobrevivendo por cerca de 20 minutos após o acidente.

Diante do desfecho trágico e das dúvidas sobre a condução do resgate, muitos brasileiros passaram a expressar revolta nas redes sociais, inclusive nos perfis oficiais do presidente da Indonésia, Prabowo Subianto, e de embaixadas do país. As críticas — que variaram entre cobranças formais e mensagens inflamadas — geraram incômodo entre usuários indonésios, que passaram a responder com sarcasmo, ataques e nacionalismo.

“Vai cuidar do seu povo antes de ficar criticando nosso presidente” e “Coloquem o país na lista negra” foram algumas das respostas mais replicadas nos comentários ao perfil de Lula. Outros internautas usaram o espaço para ironias, como um que escreveu: “Sou de Sumatra andando de balão, felizmente não queimado” — uma referência indireta ao acidente com um balão em Santa Catarina que deixou oito mortos neste mês.

A retaliação digital mostra o quanto o caso ultrapassou os limites de um debate humanitário e passou a mobilizar sentimentos patrióticos de parte a parte. Indonésios acusaram brasileiros de “barulho demais” e de desrespeitarem seu país, enquanto brasileiros apontam falhas graves no socorro à jovem turista e pedem providências diplomáticas.

Para a família de Juliana, no entanto, o foco continua sendo a busca por justiça. “Se a equipe tivesse chegado até ela dentro do prazo estimado de 7h, Juliana ainda estaria viva. Juliana merecia muito mais”, desabafou um familiar, referindo-se ao tempo entre a localização da vítima e a chegada efetiva do socorro.

O Ministério das Relações Exteriores brasileiro ainda não se pronunciou oficialmente sobre as manifestações de internautas indonésios nem sobre possíveis medidas diplomáticas envolvendo o caso. Já a embaixada do Brasil na Indonésia acompanha a apuração local e o processo de repatriação do corpo de Juliana.

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