O último bloco do debate da TV Globo entre os candidatos ao governo do Rio de Janeiro foi marcado por trocas de acusações sobre problemas da Zona Oeste, a situação financeira do Rioprevidência, políticas para pessoas com deficiência e concessões de serviços públicos. Garotinho também protagonizou um momento inusitado ao questionar Eduardo Paes sobre o destino das vigas da antiga Perimetral.
Na reta final, os candidatos fizeram considerações sobre suas propostas e criticaram adversários. O bloco reuniu discussões sobre transporte ferroviário, atendimento a pessoas com deficiência, segurança pública e gestão de serviços, além de ataques relacionados a alianças políticas e trajetórias administrativas.
Zona Oeste e transporte ferroviário
André Marinho abriu o bloco questionando William Siri sobre o conhecimento do candidato do PSOL a respeito da Zona Oeste. Marinho afirmou ter estado com moradores da Favela do Sapo e acusou o adversário de desconhecer os problemas da região.
Siri respondeu que sua proposta para a área envolve a criação de um complexo de saúde a partir da Fiocruz. O candidato também questionou o conhecimento de Marinho sobre bairros da Zona Oeste e ironizou a experiência do adversário com o transporte público.
“Você sequer conhece Inhoaíba, falando que fica ao lado de Nova Iguaçu. Já andou de trem? Deve ter andado em Nova York”, disse Siri.
O candidato do PSOL também perguntou o que Marinho faria para melhorar o sistema ferroviário do estado. Marinho citou o Hospital Rocha Faria, em Campo Grande, e se atrapalhou ao responder.
Siri, então, voltou a criticar as condições do transporte ferroviário e apresentou suas propostas para o setor. Ele defendeu a modernização dos trens, a implantação da tarifa zero e a reestatização da Trens RJ.
O candidato estimou em R$ 860 milhões o custo de sua proposta e disse que seria possível reestatizar a concessionária com dois contratos. Também defendeu a expansão da linha ferroviária até Mangaratiba.
Rioprevidência e acusações sobre relações políticas
Na sequência, Siri questionou Douglas Ruas sobre a crise envolvendo o Rioprevidência e as relações atribuídas ao empresário Daniel Vorcaro com Flávio Bolsonaro, que o apoia. O candidato do PSOL criticou o que classificou como falta de transparência sobre o dinheiro do fundo e cobrou uma solução para os servidores estaduais.
Ruas respondeu que os envolvidos em eventuais irregularidades deveriam ser responsabilizados. Ele também afirmou que pretende buscar recursos para o Rioprevidência com o apoio do ministro André Mendonça.
“Todos os envolvidos devem pagar. Ninguém pode ganhar a confiança e trair a população em seguida”, declarou Ruas
Siri voltou a abordar a situação dos servidores e prometeu suspender os pagamentos relacionados ao Credcesta, além de realizar uma revisão dos contratos. O candidato também fez acusações sobre a relação entre Flávio Bolsonaro e Vorcaro e mencionou um suposto pagamento de R$ 200 mil a um miliciano, como revelado pela Piauí.
Ruas respondeu defendendo a valorização dos policiais, mas as anotações não detalham a fala completa do candidato. A referência precisa ser recuperada na gravação para que a resposta seja reproduzida com fidelidade.
Atendimento a pessoas com deficiência vira motivo de confronto
O debate seguiu com uma discussão sobre políticas para pessoas com deficiência. Douglas Ruas questionou Eduardo Paes sobre o atendimento às mães e às famílias que precisam de suporte especializado.
Ruas afirmou que pretendia estabelecer uma coordenação com os municípios e criar polos especializados. Também perguntou se Paes havia procurado Rodrigo Bacellar depois que ele deixou a prisão.
Paes respondeu que poderia apresentar exemplos de políticas implementadas pela Prefeitura do Rio e criticou a falta de exemplos que, segundo ele, Ruas conseguiria apresentar sobre a gestão municipal de São Gonçalo. O prefeito defendeu a criação de uma rede multidisciplinar para o atendimento de crianças e a implantação de centros estaduais especializados.
“Vamos ter uma rede multidisciplinar para que as crianças recebam atendimento”, afirmou Paes.
O candidato também disse que o estado deveria ter seus próprios centros de atendimento e citou a necessidade de mediadores para o atendimento de pessoas com deficiência nas escolas.
Ruas, por sua vez, mencionou a contratação de 150 professores pelo capitão Nelson, prefeito de São Gonçalo, e acusou Paes de ter zombado de pessoas com deficiência em uma situação anterior.
Paes respondeu com críticas à trajetória política de Ruas e à gestão municipal de São Gonçalo, afirmando que o adversário seria um sucessor político de Rodrigo Bacellar. Também atacou o desempenho da educação no município. “Ele traz dados sem base, e o município de São Gonçalo teve uma das piores notas do Ideb”, disse.
Paes e Garotinho discutem destino das vigas da Perimetral
Em seguida, Paes perguntou a Anthony Garotinho o que ele pensava sobre a candidatura de Douglas Ruas. Garotinho desviou do tema e questionou o paradeiro das vigas de aço retiradas durante a demolição da Perimetral, no Rio.
“Onde estão as vigas da Perimetral? São vigas de aço”, perguntou Garotinho, que também afirmou que Ruas nunca havia prendido ninguém.
Paes respondeu que a transformação da região portuária envolveu investimentos e que a empresa privada responsável pelo material teria tido prejuízo. Garotinho contestou a explicação e afirmou que as vigas teriam ido parar no Catar. O ex-governador também acusou Paes de vender patrimônio público e cobrou explicações sobre o destino do material.
“Você vendeu patrimônio da Prefeitura do Rio de Janeiro. Nunca responde onde estão”, afirmou Garotinho.
Paes pediu direito de resposta e criticou o adversário, mencionando as prisões pelas quais Garotinho passou. O prefeito também contestou o valor atribuído às vigas e afirmou que a Linha 3 do metrô chegará a São Gonçalo e Itaboraí.
Concessão dos cemitérios também entra no debate
Garotinho perguntou a André Marinho sobre a situação dos cemitérios na cidade do Rio de Janeiro. O candidato do Novo respondeu que o adversário estava tergiversando.
Garotinho criticou o modelo de concessão e afirmou que as cobranças dificultam o sepultamento de pessoas de baixa renda. Ele mencionou taxas de manutenção de sepulturas, cobrança de ITBI e o fim dos jazigos perpétuos.
“É uma tristeza. Pessoas pobres sofrem na hora do sepultamento”, afirmou Garotinho.
Marinho reagiu chamando o adversário de “Leo Dias da política carioca” e disse que pretendia tratar o assunto com seriedade. O candidato do Novo também fez críticas gerais aos demais participantes, afirmando que havia problemas por trás das aparências apresentadas no debate. “Eu tratarei todos os problemas do nosso estado com seriedade”, disse.
Considerações finais: candidatos fazem balanço das campanhas
Nas considerações finais, André Marinho defendeu a possibilidade de renovação política e pediu apoio para construir uma alternativa no estado.
“Vocês têm opção, sim. Vamos percorrer todos os cantos desse estado”, afirmou. O candidato disse que pretendia oferecer uma oportunidade de mudança e apresentou sua candidatura como uma alternativa ao modelo político atual.
Douglas Ruas agradeceu aos participantes e aos eleitores e apresentou a disputa como uma escolha entre diferentes projetos para o Rio. Ele contrapôs o que chamou de uma nova geração ao que classificou como a política de sempre, usando referências a grandes eventos e à educação.
“Você decide qual Rio você quer: o de uma nova geração ou o Rio dos mesmos de sempre”, disse Ruas.
Eduardo Paes afirmou que o estado atravessa uma das maiores crises de sua história e voltou a atacar a candidatura de Ruas, associando-a à continuidade do grupo político ligado ao governador Cláudio Castro.
Durante o direito de resposta concedido a Paes no meio das considerações finais, o prefeito voltou a falar sobre transporte público e afirmou que pretende levar para o estado o modelo de bilhetagem implantado no município do Rio com o Jaé. Ele também criticou Marinho, dizendo que o adversário teria uma visão distante dos problemas enfrentados pela população fluminense.
William Siri agradeceu à família, aos movimentos sociais e às pessoas que acompanharam sua campanha. O candidato do PSOL pediu que os eleitores conhecessem as propostas de sua chapa e de seus candidatos a deputado estadual e federal. Também afirmou que pretendia enfrentar a extrema direita.
“Vá nas redes sociais. O bolsonarismo faz isso conosco”, disse Siri, em referência aos ataques que afirmou sofrer.
Anthony Garotinho encerrou defendendo seu histórico de realizações como governador. Ele citou iniciativas na segurança pública, além da compra do primeiro veículo blindado para o Bope.
O ex-governador também criticou a associação entre idade e capacidade de formular propostas.
“Lamento que confundam idade com ideia. O que envelhece são ideias”, afirmou Garotinho, que terminou pedindo votos e dizendo que, apesar da resistência do sistema político, continuava sendo “um Garotinho”.

Deixe um comentário