Uma aplicação de R$ 481 milhões do Rioprevidência, órgão responsável pelas aposentadorias e pensões dos servidores públicos do Estado do Rio de Janeiro, está no centro de uma disputa judicial envolvendo um fundo de investimentos ligado ao Banco Master. O fundo Revolution suspendeu os resgates e impediu a retirada dos recursos, mesmo após uma decisão da Justiça que buscava assegurar a operação.
Segundo informações divulgadas nesta sexta-feira (16) pela coluna de Manoela Alcântara, do Metrópoles, o resgate estava previsto para 17 de agosto, mas foi cancelado após o fechamento do fundo, ocorrido 12 dias antes. A administradora Master Corretora justificou a medida alegando falta de liquidez dos ativos que compõem a carteira.
A situação preocupa o Rioprevidência porque envolve recursos previdenciários destinados a garantir o pagamento de benefícios a aposentados e pensionistas fluminenses. O órgão recorreu à Justiça para tentar recuperar o dinheiro e responsabilizar as empresas envolvidas na administração dos investimentos.
Rioprevidência denuncia descumprimento de ordem judicial
Os advogados do Rioprevidência sustentam que a suspensão dos resgates contrariou uma determinação da 10ª Vara da Fazenda Pública da capital, que havia proibido medidas capazes de impedir ou atrasar a retirada dos recursos.
Em manifestação judicial, a Procuradoria do Estado afirma que a decisão da administradora agravou os riscos ao patrimônio previdenciário.
“Não obstante a concessão da tutela de urgência, esse resgate não foi honrado pela administradora fiduciária Master Corretora, de modo que quase meio bilhão de reais em recursos previdenciários permanece aprisionado em carteira opaca, ilíquida e superavaliada”, afirmaram os advogados.
O Rioprevidência também destacou a responsabilidade do Estado pelo pagamento dos benefícios previdenciários.
“Esse impacto é intolerável para qualquer investidor e, em especial, para o Rioprevidência e para o estado – este último responsável, em última análise, pelo pagamento de verbas alimentares aos aposentados e pensionistas fluminenses.”
Fundo tinha patrimônio declarado de R$ 5,52 bilhões
O Revolution informou, em julho, patrimônio líquido de R$ 5,52 bilhões. Desse total, R$ 5,33 bilhões estavam classificados genericamente como “outras aplicações”, segundo os dados apresentados na reportagem.
A gestão do fundo, anteriormente exercida pela Acura, passou para a Versal Finance em fevereiro de 2026, em meio às investigações sobre o Banco Master e os investimentos realizados por entidades previdenciárias.
Diante do impasse, os representantes do Rioprevidência solicitaram à Justiça a substituição da administradora e da gestora, além da suspensão do pagamento de taxas às empresas até a recomposição integral dos recursos públicos.
Master Corretora nega ter dificultado resgate
A Master Corretora contesta as acusações e afirma que não criou obstáculos à devolução dos valores. Segundo a empresa, a suspensão dos resgates foi determinada pela atual gestora, Versal Finance, devido à impossibilidade de transformar os investimentos em dinheiro imediatamente.
A administradora argumenta que a venda forçada dos ativos poderia provocar prejuízos aos cotistas. A previsão apresentada pela defesa é que os recursos sejam devolvidos gradualmente, conforme os investimentos da carteira forem convertidos em caixa, depois do pagamento das despesas do fundo.







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