A Justiça Federal do Rio de Janeiro aceitou a denúncia do Ministério Público Federal (MPF) contra 12 ex-executivos das Americanas, que agora passam à condição de réus no processo sobre a fraude contábil bilionária descoberta em 2023. A decisão foi tomada pela 6ª Vara Federal Criminal do Rio de Janeiro e representa um novo capítulo de um dos maiores escândalos empresariais da história do Brasil.
A informação foi divulgada nesta quinta-feira (15) pelo jornalista Lauro Jardim, em sua coluna no jornal O Globo. A decisão ocorre quase quatro anos depois da revelação das irregularidades financeiras que abalaram a companhia, provocaram uma crise de confiança no mercado e levaram a empresa a enfrentar uma das maiores recuperações judiciais do país.
Entre os denunciados está Miguel Gutierrez, ex-presidente da Americanas, apontado pelas investigações como o principal articulador do suposto esquema de manipulação dos balanços financeiros.
Quem são os 12 ex-executivos que viraram réus
Além de Miguel Gutierrez, a Justiça aceitou a denúncia contra Anna Saicali, ex-presidente da Americanas Digital/B2W, e Timótheo de Barros, que ocupou a vice-presidência da companhia.
Também passam a responder à ação penal os seguintes ex-diretores e ex-gerentes:
- Carlos Padilha
- João Guerra
- Murilo Corrêa
- Maria Christina Nascimento
- Fabien Picavet
- Raoni Fabiano
- Luiz Augusto Saraiva Henriques
- Jean Pierre Lessa
- Anna Christina Sotero
Com o recebimento da denúncia, os 12 acusados passam formalmente à condição de réus e poderão apresentar suas defesas durante a tramitação do processo criminal.
A decisão não representa condenação. Caberá à Justiça analisar as provas reunidas pela acusação e os argumentos apresentados pelos denunciados antes de estabelecer eventuais responsabilidades penais.
Fraude escondia rombo de R$ 25 bilhões
O escândalo das Americanas veio à tona em janeiro de 2023, quando a companhia revelou inconsistências bilionárias em seus registros contábeis. A descoberta provocou uma crise que atingiu investidores, credores, fornecedores e milhares de trabalhadores ligados à rede varejista.
Segundo as investigações, o esquema envolvia a manipulação de informações financeiras e a falsificação de balanços para esconder a verdadeira situação econômica da empresa.
As irregularidades teriam permitido ocultar um rombo estimado em R$ 25 bilhões. Posteriormente, a crise financeira da companhia revelou um endividamento total superior a R$ 43 bilhões.
A dimensão dos valores transformou o caso em um marco negativo da história corporativa brasileira, levantando questionamentos sobre os mecanismos de auditoria, fiscalização e governança das empresas de capital aberto.
Processo criminal entra em nova fase
O recebimento da denúncia marca uma mudança importante na investigação. Até então, os executivos eram alvos de apurações relacionadas às irregularidades identificadas na companhia. Agora, passam a responder formalmente a uma ação penal.
Durante a instrução processual, a Justiça poderá ouvir testemunhas, examinar documentos e avaliar as provas apresentadas pelas partes.
O avanço do processo também reacende o debate sobre a responsabilização de dirigentes empresariais em casos de fraudes financeiras de grandes proporções.
Quase quatro anos depois da descoberta do escândalo, o caso Americanas chega, assim, a uma nova etapa judicial, que deverá determinar se os ex-executivos denunciados tiveram participação criminosa nas irregularidades apontadas pelo Ministério Público Federal.







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