Em campanha pela Presidência da República, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) tem colocado a segurança pública entre os principais temas de sua candidatura e usado a presidência da Comissão de Segurança Pública do Senado como parte de sua propaganda eleitoral. Levantamento publicado pela Folha de S. Paulo, porém, aponta que o parlamentar esteve presente em apenas três das 11 sessões consideradas da comissão neste ano.
Segundo a apuração, Flávio não participou de oito dessas reuniões, o equivalente a 73%. Entre as três ocasiões em que compareceu está a única sessão realizada no período eleitoral considerada no levantamento.
A equipe do senador atribuiu as ausências à campanha presidencial. “O Parlamento tem limites de atuação diante da agenda de Flávio como candidato à Presidência da República”, afirmou a assessoria.
Em nota, a campanha também defendeu a atuação do parlamentar no colegiado. “Na Comissão de Segurança Pública do Senado, Flávio exerceu um trabalho focado no endurecimento de penas e na atualização da legislação, com o objetivo de promover um cerco aos criminosos e melhorar a segurança da população brasileira. Não por acaso, o senador recebeu o Prêmio de Excelência Parlamentar em 2023, 2024 e 2025, concedido pelo Ranking dos Políticos, que avalia o desempenho parlamentar”, diz a nota.
Segurança pública ganha espaço na campanha
A atuação de Flávio na comissão aparece em sua propaganda eleitoral no rádio e na televisão. Uma das peças apresenta propostas do candidato para a segurança pública e destaca sua trajetória política.
“Este é o Flávio Bolsonaro, que sempre combateu as facções criminosas e começou cedo”, afirma a narração, que também diz que ele “defendeu a linha dura no combate ao crime”.
Entre as propostas mencionadas pela campanha está a classificação de organizações criminosas como PCC (Primeiro Comando da Capital) e CV (Comando Vermelho) como organizações terroristas.
A propaganda também destaca que Flávio foi relator, em 2024, da proposta que restringiu as saídas temporárias de presos. O texto foi aprovado pelo Congresso e transformado em lei.
Outro levantamento da Folha, realizado no primeiro semestre deste ano, apontou que o senador deixou de registrar voto em 43% das 49 deliberações nominais analisadas até 22 de junho.
Porte de arma para mulheres entra no debate
Em setembro, Flávio participou de reunião da Comissão de Segurança Pública que analisou propostas relacionadas ao porte de armas e ao agravamento de penas. Entre elas estava o projeto que autoriza o porte de arma de fogo para mulheres submetidas a medida protetiva de urgência.
A proposta é de autoria da ex-senadora Rosana Martinelli (PL-MT) e tem Flávio como relator. O texto estabelece requisitos para a autorização, incluindo comprovação de capacidade técnica e aptidão psicológica para o manuseio da arma.
Antes da votação, o senador defendeu a medida. “Sempre lembrando que é uma faculdade da mulher. […] As mulheres que não quiserem lançar mão de uma arma para se defender, tudo bem. É obrigação do Estado garantir a segurança dela”, disse.
A análise acabou interrompida por um pedido de vista coletivo.
Flávio também relacionou a proposta à campanha presidencial. “Essa é uma medida que pode, sim, salvar a vida de uma mulher, em especial quando a gente sabe que o Estado não é infalível. É obrigação, tem que fazer, nós faremos no nosso governo algo muito mais efetivo do que tem nesse governo de hoje”, afirmou.
Comissão aprova projetos relatados por Flávio
Na mesma reunião, a comissão aprovou outras propostas. Uma delas amplia o porte de arma para integrantes das Defensorias Públicas da União, dos estados e do Distrito Federal. Flávio foi o relator da matéria.
Outro projeto analisado prevê aumento de penas em crimes de homicídio e lesão corporal cometidos contra determinadas autoridades e agentes públicos. As propostas seguem o rito legislativo previsto para cada matéria antes de eventual transformação em lei.
A equipe do candidato afirmou ainda que “a luta contra a violência e o crime é uma bandeira inegociável para Flávio Bolsonaro”.
“Flávio será presidente para o real enfrentamento aos narcoterroristas e ao crime como um todo. A partir de janeiro de 2027, ou os criminosos deixam o Brasil ou serão presos ou serão neutralizados”, acrescentou a nota.







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