O Supremo Tribunal Federal (STF) passou a investigar possíveis irregularidades envolvendo emendas parlamentares destinadas a entidades ligadas à produtora do filme “Dark Horse”, obra inspirada na trajetória do ex-presidente Jair Bolsonaro. A informação foi divulgada em matéria da Agência Brasil.
O caso envolve o deputado federal Mario Frias (PL-SP), roteirista e produtor executivo do longa, além de recursos públicos destinados por parlamentares do Partido Liberal a organizações vinculadas à empresária Karina Ferreira da Gama, responsável pela produtora Go Up Entertainment.
Segundo a reportagem, o ministro Flávio Dino determinou, ainda em março, que Mario Frias prestasse esclarecimentos sobre a destinação de verbas parlamentares relacionadas ao caso.
Intimação no STF
De acordo com os autos da Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental (ADPF) nº 854, oficiais de Justiça tentam intimar Mario Frias há mais de um mês para responder às acusações apresentadas pela deputada federal Tabata Amaral (PSB-SP).
Segundo a denúncia, ao menos R$ 2 milhões teriam sido destinados à Academia Nacional de Cultura (ANC), presidida por Karina Ferreira da Gama. A empresária também está ligada ao Instituto Conhecer Brasil (ICB) e à Go Up Entertainment, produtora responsável pelo filme “Dark Horse”.
A oficial de Justiça encarregada da intimação esteve no gabinete do deputado em pelo menos três ocasiões entre março e abril, mas foi informada por assessores de que Frias estaria em São Paulo, cumprindo compromissos de campanha.
Denúncia sobre emendas
A representação apresentada por Tabata Amaral teve como base uma reportagem publicada pelo site The Intercept Brasil em dezembro de 2025. Segundo a publicação, entidades ligadas ao grupo teriam recebido cerca de R$ 2,6 milhões em emendas parlamentares enviadas por deputados do PL, incluindo Mario Frias (SP), Bia Kicis (DF) e Marcos Pollon (MS).
Na ação encaminhada ao STF, Tabata argumenta que poderia existir um grupo econômico operando por meio de diferentes empresas e organizações sob um mesmo comando. Segundo ela, isso poderia dificultar a rastreabilidade da aplicação dos recursos públicos e financiar indiretamente produções audiovisuais de viés ideológico.
Defesa dos deputados
Os deputados citados negam irregularidades e afirmam que os recursos não foram utilizados para custear o filme sobre Jair Bolsonaro.
Marcos Pollon declarou ao STF que havia destinado R$ 1 milhão para uma série documental intitulada “Heróis Nacionais – Filhos do Brasil que não se rendem”, mas afirmou que o projeto não avançou por problemas técnicos e que os recursos foram posteriormente redirecionados para a área da saúde, especificamente ao Hospital de Amor de Barretos, em São Paulo.
Bia Kicis também admitiu ter destinado R$ 150 mil para a mesma série documental, mas negou qualquer ligação entre sua emenda e o filme “Dark Horse”.
Segundo a deputada, a tentativa de relacionar os recursos públicos à produção cinematográfica seria equivocada. “A tentativa de realizar uma amálgama entre projetos distintos, apenas por envolverem a mesma produtora ou temas de espectro conservador, constitui um erro metodológico e jurídico grave”, afirmou.
Caso Vorcaro amplia crise
A investigação do STF ocorre em meio à repercussão de reportagens sobre o financiamento privado do filme “Dark Horse” por Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master.
Segundo reportagem do Intercept Brasil mencionada pela Agência Brasil, Flávio Bolsonaro teria pedido cerca de R$ 134 milhões ao banqueiro para custear a produção. Desse valor, aproximadamente R$ 61 milhões teriam sido liberados entre fevereiro e maio de 2025.
Áudios divulgados mostram o senador cobrando pagamentos e relatando preocupação com atrasos nas parcelas ligadas ao projeto audiovisual.
“Apesar de você ter dado a liberdade de a gente te cobrar, eu fico sem graça de ficar te cobrando. É porque está em um momento muito decisivo aqui do filme”, diz Flávio Bolsonaro em um dos áudios divulgados.
Mario Frias nega dinheiro público
Após a repercussão do caso, Mario Frias divulgou nota afirmando que “Dark Horse” não recebeu “nem um único centavo” do Banco Master ou de Daniel Vorcaro.
O deputado também negou participação societária de Flávio Bolsonaro no filme ou na produtora responsável pela obra.
Segundo Frias, o longa é uma “superprodução em padrão hollywoodiano”, financiada integralmente por capital privado.
A produção está prevista para estrear nos cinemas brasileiros em setembro de 2026, semanas antes do primeiro turno das eleições presidenciais.






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