Flávio Bolsonaro vai discursar em jantar na propriedade de Trump com o ator de Dark Horse

Senador está na programação de evento conservador ao lado de Jim Caviezel, protagonista de produção sobre Jair Bolsonaro cujo financiamento é alvo de investigação da PF

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O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) tem um discurso previsto para esta quinta-feira (5) em um jantar do CPAC, conferência conservadora, no clube Mar-a-Lago, propriedade do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, na Flórida, informa o jornal O Globo. A participação ocorre enquanto o parlamentar busca aproximação com lideranças da direita estadunidense após fugir do Brasil na sequência da derrota para Luiz Inácio Lula da Silva (PT) na eleição presidencial.

Entre os nomes anunciados para a mesma programação está o ator Jim Caviezel, escolhido para interpretar Jair Bolsonaro na cinebiografia Dark Horse. O financiamento do longa passou a ser investigado pela Polícia Federal após a identificação de mensagens entre Flávio e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro sobre recursos para a produção.

Segundo a programação divulgada pelos organizadores, o jantar será realizado no salão Donald J. Trump, em Palm Beach, das 18h às 22h no horário local — entre 20h e meia-noite em Brasília. Os horários dos discursos ainda não foram informados.

Filme sobre Bolsonaro entrou na investigação

Conhecido por interpretar Jesus Cristo em A Paixão de Cristo, Caviezel foi escalado para protagonizar a produção sobre o ex-presidente brasileiro. As tratativas financeiras relacionadas ao filme apareceram nas investigações sobre o Banco Master.

A Polícia Federal identificou conversas nas quais Flávio discutia com Vorcaro o financiamento do projeto. Em uma das mensagens, o senador cobrou pagamentos relacionados à participação de Caviezel e ao diretor Cyrus Nowrasteh.

O parlamentar confirmou que buscou recursos para viabilizar a produção, mas negou irregularidades.

Aproximação com conservadores dos EUA

A presença no jantar integra os movimentos de Flávio para ampliar seus contatos com o entorno político de Trump. O senador conta com o auxílio do irmão Eduardo Bolsonaro, ex-deputado federal que vive nos Estados Unidos há mais de um ano e mantém relações com integrantes do movimento trumpista.

Eduardo também está entre os participantes anunciados para o CPAC, cuja programação reúne lideranças conservadoras americanas e internacionais entre os dias 4 e 7 de novembro.

Embora a cerimônia ocorra em uma propriedade de Trump, a presença do presidente americano não está confirmada. Recentemente, ele afirmou que não tinha planos de receber Flávio, mas declarou que o senador poderia permanecer nos Estados Unidos pelo tempo que desejasse.

Permanência na Flórida após a eleição

Flávio fugiu do Brasil no fim de outubro, depois de se recusar a reconhecer a vitória de Lula e de descumprir uma determinação do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), para entregar seus passaportes. Desde então, permanece na Flórida com a família.

Após chegar ao país, o senador divulgou uma carta em que contestou, sem apresentar provas, a legitimidade do resultado eleitoral e anunciou a intenção de liderar a oposição mesmo no exterior. O teor golpista da manifestação provocou desconforto entre dirigentes do PL e aliados que defendem uma atuação institucional no Congresso.

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