A decisão do governo federal de acabar com as bets no Brasil terá um efeito direto sobre a arrecadação. Cerca de R$ 800 milhões por mês deixarão de entrar nos cofres da União com o encerramento das plataformas de apostas on-line, considerando a média mensal de receitas obtidas com o setor.
De janeiro a agosto de 2026, a arrecadação acumulada com as empresas de apostas chegou a R$ 6,3 bilhões. Desde janeiro de 2025, quando o mercado regulado começou efetivamente a funcionar, o montante alcançou R$ 15,3 bilhões.
Os valores incluem diferentes tributos pagos pelas empresas que exploram as apostas de quota fixa, como Imposto de Renda, IOF, Cofins, PIS/Pasep, CSLL, Cide e contribuição previdenciária.
A perda dessa fonte de recursos ocorre em um momento de pressão sobre as contas federais. Em agosto, a mediana das projeções do mercado reunidas pelo Prisma Fiscal indicava déficit primário de R$ 59,145 bilhões para o Governo Central em 2026. A estimativa de arrecadação federal para o ano estava em R$ 3,185 trilhões.
Empresas pagaram R$ 30 milhões por licença
A arrecadação federal com as bets não se limitava aos impostos pagos durante a operação.
As empresas autorizadas pelo Ministério da Fazenda desembolsaram R$ 30 milhões em outorga para obter o direito de funcionar por cinco anos. Desde o início da regulamentação até meados deste ano, a União arrecadou cerca de R$ 2,5 bilhões somente com essas taxas.
No primeiro semestre de 2026, o Brasil tinha 84 empresas licenciadas para oferecer apostas de quota fixa. Juntas, elas administravam 193 marcas ativas.
A receita bruta das empresas, conhecida pela sigla GGR, também alcançou cifras bilionárias.
Segundo os números citados na reportagem, o setor registrou R$ 20,28 bilhões de GGR nos primeiros seis meses de 2026, ante R$ 19,09 bilhões no mesmo período do ano anterior. Em todo o ano de 2025, foram R$ 40,69 bilhões.
O GGR representa, de forma simplificada, a diferença entre o dinheiro arrecadado pelas casas de apostas e os prêmios pagos aos jogadores.
Recursos financiavam políticas públicas
Uma parcela da receita gerada pelas apostas tinha destinação determinada pela legislação.
Somente no primeiro semestre de 2026, R$ 2,49 bilhões foram destinados obrigatoriamente a diferentes políticas públicas.
O esporte recebeu R$ 870,15 milhões, enquanto R$ 677,52 milhões foram direcionados ao turismo. A segurança pública ficou com R$ 329,08 milhões.
Seguridade social e educação receberam, juntas, R$ 493,84 milhões. Outras áreas também participavam da divisão dos recursos.
A legislação aprovada para regulamentar o setor havia estabelecido inicialmente a cobrança de 12% sobre o GGR para essas destinações. Mudanças posteriores previram aumento gradual da cobrança, chegando a 15% em 2028.
Parte dos recursos das apostas também passou a ter destinação para atividades da Polícia Federal. Em julho, o Senado aprovou uma medida prevendo repasses graduais ao Fundo para Aparelhamento e Operacionalização das Atividades-Fim da PF.
Impacto fiscal entra na conta
O encerramento das bets elimina, portanto, uma fonte de receita que vinha crescendo desde a regulamentação do setor.
A cifra de aproximadamente R$ 800 milhões mensais representa uma média baseada na arrecadação recente e não significa necessariamente que a perda futura será exatamente desse valor em todos os meses.
O impacto também precisa ser considerado em conjunto com os argumentos apresentados pelo governo para justificar a proibição. Estudos recentes têm apontado custos econômicos e sociais associados às apostas, embora as estimativas sejam contestadas por representantes das empresas do setor.
Com a proibição, além da redução da receita tributária, o governo terá de lidar com a destinação das políticas públicas que recebiam recursos vinculados às apostas e com as consequências do encerramento das autorizações concedidas às empresas.







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