O senador Flávio Bolsonaro (PL), candidato à Presidência da República, criticou nesta sexta-feira (25) a decisão do governo de proibir as bets no Brasil e chamou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) de “pai do tigrinho”. A declaração foi dada no mesmo dia em que o governo anunciou o fim das apostas on-line no país, a nove dias do primeiro turno das eleições.
Flávio classificou a iniciativa como “populista, hipócrita e eleitoreira”. O senador afirmou ser contrário aos cassinos virtuais, mas deixou em aberto qual seria sua posição sobre a continuidade das plataformas destinadas exclusivamente às apostas esportivas.
“Sempre fui contra os jogos. Tem que fazer essa distinção muito clara. Uma coisa é você permitir, como é permitido há décadas, que brasileiros possam apostar nos jogos que são reais. Um jogo de futebol… E mesmo assim tem questionamentos. Eu sou contra, mas é o que sempre esteve em vigor. O que o governo Lula permitiu foi a legalização do jogo do tigrinho”, afirmou.
Flávio chama Lula de ‘pai do tigrinho’
As apostas de quota fixa foram autorizadas no Brasil em 2018, durante o governo Michel Temer (MDB). A regulamentação mais ampla do setor foi aprovada em 2023, já no terceiro mandato de Lula, depois de o mercado permanecer sem regulamentação específica durante o governo Jair Bolsonaro.
O mercado regulado começou efetivamente a operar em 2025, com empresas autorizadas pelo Ministério da Fazenda. Até recentemente, a própria pasta continuava publicando normas destinadas à fiscalização das plataformas e ao combate ao mercado ilegal.
Flávio atribuiu ao atual governo a responsabilidade pela expansão dos cassinos virtuais.
“O Lula é o pai do tigrinho. O Lula tem dois filhos que fizeram muito mal ao Brasil: o Lulinha e o tigrinho”, declarou o candidato após participar de uma cerimônia de formatura de policiais militares no Rio.
O senador também afirmou que Lula estaria tentando explorar eleitoralmente a proibição das apostas.
“É uma medida populista, hipócrita e eleitoreira. E ninguém garante que, depois da eleição, ele libera tudo de novo. Ele está jogando tudo nas eleições”, disse.
A afirmação sobre uma eventual retomada das bets após as eleições é uma avaliação política de Flávio. A medida anunciada pelo governo prevê o encerramento das atividades das plataformas, e sua continuidade dependerá das regras legais e da tramitação prevista para o instrumento adotado.
Governo anuncia fim das bets
O governo anunciou nesta sexta-feira a proibição das apostas esportivas e dos cassinos on-line. A decisão ocorre nove dias antes do primeiro turno e representa uma mudança em relação à política de regulamentação adotada nos últimos anos.
Em vídeo publicado posteriormente, Flávio voltou a atacar a iniciativa e afirmou que Lula estaria tentando apresentar uma solução para um problema que, segundo ele, foi ampliado durante o atual governo.
“Lula cria o problema, vem com a solução fajuta e ainda por cima pode deixar de valer logo depois das eleições”, declarou.
O senador também afirmou que a regulamentação teria sido adotada para ampliar a arrecadação federal. Segundo dados citados pela Folha, o setor gerou cerca de R$ 10 bilhões em arrecadação em 2025 e aproximadamente R$ 7,3 bilhões no primeiro semestre deste ano.
Senador defende amigo investigado pela PF
Durante a mesma agenda, Flávio também defendeu sua relação com o advogado Willer Tomaz, investigado pela Polícia Federal no inquérito que apura irregularidades envolvendo descontos em benefícios do INSS.
Flávio já utilizou um apartamento pertencente a Tomaz durante a campanha e realizou viagens com o advogado e suas famílias. A Folha também noticiou que o senador viajou em um jatinho ligado a Tomaz e a uma estrutura de compartilhamento de bens que teve relação empresarial com Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master.
O candidato afirmou que Tomaz é vítima de perseguição por manter amizade com ele.
“Um advogado respeitadíssimo. É meu amigo. Nossas esposas são amigas. Nossos filhos são amigos. Fiz várias viagens junto com eles. Não dá para querer criminalizar a amizade agora”, afirmou.
Flávio também acusou instituições como Supremo Tribunal Federal, Ministério Público, Polícia Federal e Defensoria Pública de estarem “aparelhadas”. Não apresentou, nas declarações reproduzidas, evidências específicas que sustentassem a acusação.







Deixe um comentário