Uma estátua do ex-presidente João Goulart, conhecido como Jango, foi encontrada vandalizada nesta terça-feira (20), em Porto Alegre, no Rio Grande do Sul. O monumento, instalado na orla do Guaíba, apareceu com pichações de tinta vermelha, provocando indignação entre familiares do ex-chefe de Estado, deposto pelo golpe militar de 1964.
A denúncia ganhou repercussão após a música Bela Goulart, neta de Jango, divulgar um vídeo nas redes sociais condenando o episódio. Na publicação, ela afirmou que a depredação representa uma agressão à memória do avô e defendeu a responsabilização dos autores.
“Tinta não apaga história. Tentaram apagar meu avô quando depuseram ele, quando mandaram ele para o exílio, quando impediram que o povo se despedisse. Não conseguiram”, declarou.
Segundo Bela, bandeiras e cartazes com a imagem do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), candidato à Presidência da República, estavam nas proximidades da escultura. A presença do material eleitoral, porém, não estabelece relação entre a campanha e os responsáveis pelo vandalismo.
A campanha do senador foi procurada pela Folha de S.Paulo, mas não havia respondido até a publicação da reportagem, nesta quarta-feira (21).
Neta de Jango cobra punição
No vídeo publicado no Instagram, Bela Goulart classificou o episódio como uma agressão ao patrimônio e aos valores históricos representados pelo monumento.
“Pichar monumento é crime e quem fez isso vai ter que responder. Mas quando se ataca uma estátua, se ataca tudo aquilo que essa estátua representa”, afirmou.
A artista também destacou o legado político do avô, que governou o Brasil entre 1961 e 1964, antes de ser afastado do poder pelo golpe militar.
“Meu avô representa a democracia, a justiça social, a defesa dos trabalhadores, a luta por um Brasil menos desigual e a escolha da paz, em vez da violência”, acrescentou.
A manifestação da família ressalta a importância da preservação de monumentos históricos e da memória de personagens que marcaram a trajetória política brasileira.
Até as informações apresentadas na reportagem, não havia identificação dos responsáveis pela depredação.
Monumento foi inaugurado em 2024
A escultura de João Goulart foi criada pelo artista Otto Dumovich e inaugurada em 2024, na orla do Guaíba, um dos principais espaços públicos de Porto Alegre.
O monumento presta homenagem ao ex-presidente, que nasceu em 1919 e morreu em 1976, depois de ter sido afastado do poder e obrigado a viver no exílio durante a ditadura militar.
Jango assumiu a Presidência em 1961, após a renúncia de Jânio Quadros, e teve seu governo marcado por disputas políticas e pela defesa das chamadas Reformas de Base.
As propostas abrangiam mudanças nos setores agrário, urbano, educacional, bancário, fiscal e eleitoral, com o objetivo de enfrentar desigualdades estruturais no país.
O programa de reformas provocou forte oposição de setores políticos, empresariais e militares. Em 1964, Goulart foi deposto por um golpe que deu início a uma ditadura de 21 anos no Brasil.
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