A disputa por influência dentro do PT ganhou um novo capítulo nesta quarta-feira (5), após o vice-presidente nacional da legenda e prefeito de Maricá, Washington Quaquá, acusar Gleisi Hoffmann e o deputado federal Lindbergh Farias de terem monopolizado emendas parlamentares e espaços no governo federal destinados ao Rio de Janeiro.
Em declarações divulgadas pelo Poder360, Quaquá afirmou que os dois dirigentes petistas tiveram acesso privilegiado a recursos e entregas realizadas com apoio da União. A crítica expõe publicamente as divergências entre diferentes grupos do partido em um momento de reorganização das forças políticas para as eleições.
“É só dar uma olhada na rede social deles que você vai ver o quanto eles entregaram de trator, de emenda. Ficaram ali pendurados no governo federal”, declarou o prefeito de Maricá.
A fala foi direcionada a Gleisi e Lindbergh, dois nomes com forte presença na direção nacional do PT e interlocução com integrantes do governo federal. Na avaliação de Quaquá, a concentração de recursos e espaço político reduziu as oportunidades para outros parlamentares e lideranças da legenda no Rio.
Disputa por espaço
Washington Quaquá também destacou a influência exercida por Lindbergh Farias junto ao governo. Segundo o vice-presidente do partido, nenhum parlamentar, dentro ou fora da base governista, teria conseguido o mesmo nível de acesso a emendas e órgãos federais.
“Nenhum deputado nem da base nem fora da base teve tanta emenda e tanta presença no governo quanto ele”, afirmou Quaquá ao se referir a Lindbergh.
A declaração amplia o embate interno entre dirigentes do PT fluminense. Embora pertençam ao mesmo partido, Quaquá e Lindbergh representam grupos distintos na disputa por posições estratégicas, participação em decisões nacionais e protagonismo na montagem das alianças eleitorais.
As emendas parlamentares são recursos previstos no Orçamento da União e destinados por deputados e senadores a obras, programas públicos, compra de equipamentos e investimentos em estados e municípios. A distribuição dessas verbas costuma ser usada por parlamentares para fortalecer sua presença política nas bases eleitorais.
Crítica atinge Gleisi
Além de Lindbergh, a crítica de Quaquá alcançou diretamente Gleisi Hoffmann, que ocupa uma posição de destaque na estrutura política do governo federal. O prefeito de Maricá sugeriu que a dirigente também se beneficiou da proximidade com o Palácio do Planalto para ampliar sua participação em entregas realizadas no estado.
Ao mencionar publicações feitas nas redes sociais dos dois petistas, Quaquá buscou sustentar que a presença frequente em anúncios de máquinas, equipamentos e investimentos demonstraria a concentração de recursos sob o controle de um grupo específico.
O prefeito, no entanto, não apresentou na declaração reproduzida um levantamento detalhado com os valores das emendas atribuídas a cada parlamentar. A manifestação teve caráter político e foi feita no contexto das divergências internas que cercam a atuação do PT no Rio de Janeiro.
As críticas chamam atenção porque partiram de um dos vice-presidentes nacionais da própria legenda. Quaquá ocupa uma posição de relevância na direção partidária e comanda Maricá, município administrado pelo PT há sucessivos mandatos.
A manifestação indica que a disputa não se limita à distribuição de recursos. O embate envolve também o controle político do partido no estado, a relação com o governo federal e a definição de quais dirigentes terão maior influência nas decisões eleitorais.
Com a proximidade do período eleitoral, divergências sobre candidaturas, coligações e participação nas chapas tendem a aumentar a tensão entre os diferentes grupos do PT fluminense. Nesse cenário, o acesso a emendas parlamentares e ministérios passa a ser apresentado como uma demonstração concreta de força política.
Até a publicação da matéria, não foram apresentadas respostas dos dois dirigentes às acusações feitas pelo prefeito de Maricá.







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