O deputado estadual Yuri Moura rompeu públicamente com a direção do PSOL no Rio. Em vídeo divulgado nas redes sociais, o parlamentar acusou o próprio partido de persegui-lo, afirmou ter sofrido uma redução de 30% em seu tempo de propaganda eleitoral na televisão e questionou até mesmo o empenho de setores da legenda na campanha pela reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
“Estou sendo perseguido pelo PSOL do Rio de Janeiro”, afirmou Yuri logo no início da gravação. O deputado atribuiu a punição à sua participação em articulações políticas no interior fluminense e acusou a ala majoritária da sigla de tentar enfraquecer sua candidatura à reeleição.
A manifestação aprofunda uma divergência que veio a público depois que Yuri participou, em 31 de julho, de um evento político em Paraíba do Sul. Na ocasião, o deputado do PSOL subiu ao palco com lideranças do PSD e abraçou Eduardo Paes, candidato do partido ao governo do Rio. O PSOL tem candidatura própria ao Palácio Guanabara, com William Siri.
Encontro com Paes está no centro da crise
O evento marcou a filiação ao PSD do prefeito de Paraíba do Sul, Canelinha, que deixou o União Brasil. Yuri dividiu o palco com Paes e outras lideranças do PSD, como o candidato a senador Pedro Paulo. Na época, afirmou que sua presença não significava apoio a qualquer candidatura e disse estar trabalhando para ampliar a base política de Lula no interior.
No novo vídeo, o deputado retomou o episódio para sustentar que não cometeu infidelidade partidária. Segundo ele, o convite partiu do prefeito e do vereador Léo Corrêa, seu aliado político na cidade.
“Não pedi voto para nenhum governador e sequer cometi infidelidade partidária”, declarou. Yuri argumentou que sua atuação busca aproximar lideranças do interior da candidatura presidencial de Lula e criticou o que chamou de “esquerdismo” de setores do PSOL.
O parlamentar também afirmou que houve uma tentativa de retirar recursos destinados à sua campanha. “Tentaram tirar meu fundo eleitoral, acho que vão continuar tentando, mas conseguiram tirar 30% do meu tempo de televisão”, disse.
Deputado acusa partido de tentar impedir reeleição
O tom mais duro foi direcionado à direção estadual e às correntes internas que, segundo Yuri, controlam a legenda. O deputado afirmou que a redução do espaço na propaganda eleitoral teria como objetivo beneficiar outros candidatos da chapa proporcional do PSOL.
“Eu sei que o esquerdismo e a ala majoritária do partido querem me diminuir para que seus candidatos tenham mais chance de disputa na nossa chapa, o que não tem nada de companheirismo”, afirmou.
Yuri também colocou em dúvida a estratégia eleitoral da própria legenda em relação ao presidente. “Eu não sei se o PSOL vai fazer campanha para o Lula”, disse. Em outro trecho, acusou parlamentares e correntes internas de tentarem “esconder o Lula”.
Eleito deputado estadual em 2022 e candidato a prefeito de Petrópolis em 2024, Yuri se apresenta como representante de uma linha que chama de “esquerda popular”, em contraposição aos setores que classifica como mais sectários. Após o encontro com Paes, já havia defendido que a política nas cidades do interior exige alianças e diálogos diferentes daqueles predominantes na capital.
O vídeo transforma uma divergência até então concentrada nos bastidores em um rompimento político explícito com a direção estadual. Yuri encerrou a gravação com uma provocação aos dirigentes da legenda: “E aí, quem for defender a democracia também será punido? Fica a pergunta pro PSOL ou pra quem acha que é dono dele”.
🚨 ELEIÇÃO | Deputado diz ter perdido 30% do tempo de TV e acusa ala majoritária de tentar prejudicar sua reeleição após participação em evento ao lado de Eduardo Paes
— Agenda do Poder (@agendadopoder) August 13, 2026
📸 Reprodução / Instagram pic.twitter.com/6AXbpfhSER







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