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Em entrevista ao Jogo do Poder, Fábio Gomes, presidente do Instituto Informa, diz que eleição está aberta no Rio

Presidente do Instituto Informa afirma que Eduardo Paes enfrenta um teto próximo de 40% e avalia que eventual saída de Garotinho pode favorecer o candidato do PL

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O presidente do Instituto Informa, Fábio Gomes, avalia que a disputa pelo Governo do Rio caminha, neste momento, para um segundo turno. Em entrevista ao programa Jogo do Poder, apresentado pelo jornalista Ricardo Bruno e que vai ao ar neste domingo, ele afirmou que Eduardo Paes (PSD), embora permaneça à frente nas pesquisas, enfrenta dificuldades para romper a faixa próxima dos 40%, enquanto Douglas Ruas (PL) ainda possui espaço para crescer com o aumento de sua associação ao bolsonarismo.

Segundo Gomes, o cenário fluminense é marcado pela desconfiança do eleitor em relação à política, pela baixa expectativa diante dos candidatos e por uma possível alta de abstenções e votos nulos. Para o pesquisador, esse ambiente ajuda a explicar por que Paes não consegue ampliar com facilidade sua vantagem.

“40% pode ser um índice para comemorar em muitos lugares do Brasil, mas 40% desde 2018 é um fator de preocupação”, afirmou.

Desânimo do eleitor limita crescimento de Paes

Na avaliação do presidente do Informa, o eleitor do Rio vive uma espécie de “terra arrasada” na relação com a política, alimentada por sucessivas crises, prisões de governadores e problemas cotidianos, sobretudo na segurança pública.

“As pessoas estão desanimadas com o processo eleitoral”, disse.

Gomes acrescentou que há pouca expectativa de transformações profundas e que o eleitor fluminense estaria buscando soluções mais básicas.

“A expectativa hoje é baixa. Me dá o básico”, resumiu.

Ele também destacou que Paes precisa ampliar sua presença no interior, responsável por parcela significativa dos votos do estado. Ao analisar a estratégia do candidato do PSD de buscar maior identificação com essas regiões, Gomes alertou para o risco de excessos na construção dessa imagem.

“Como ele é muito brincalhão e junta o fato de botar um chapéu de boiadeiro ao ir pro interior, pode passar uma coisa de deboche. Eu não sei”, afirmou.

Douglas Ruas ainda tem espaço para crescer

Ao analisar Douglas Ruas, Gomes afirmou que o candidato do PL possui margem de crescimento devido ao elevado desconhecimento do eleitorado e à possibilidade de associação mais intensa com Flávio Bolsonaro durante a campanha.

“Ah, tem. Ele tem chance de crescer. Acredito que cresça. Ainda há ali um desconhecimento”, declarou.

O pesquisador citou como comparação o desempenho de Alexandre Ramagem na eleição municipal do Rio, quando o então candidato bolsonarista avançou mesmo iniciando a disputa com baixo conhecimento entre os eleitores.

Gomes também avaliou que Anthony Garotinho (Republicanos) pode contribuir para fragmentar os votos e dificultar uma expansão maior de Ruas no primeiro turno. Caso Garotinho deixe a disputa em razão de problemas jurídicos, porém, a tendência seria de fortalecimento do candidato do PL.

“O Garotinho pode trazer fragmentação, pode frear o crescimento do Douglas. Acredito muito nisso”, afirmou.

“Ele pode acelerar um pouco o crescimento com a ausência do Garotinho”, acrescentou.

Abstenção pode favorecer vitória no primeiro turno

Apesar de considerar o segundo turno o cenário mais provável hoje, Fábio Gomes afirmou que uma votação expressiva de Paes combinada com alta abstenção e aumento dos votos nulos pode abrir caminho para uma definição já na primeira etapa da eleição.

“Pode. Esse é um cenário. Com essa abstenção é a chance do Eduardo vencer no primeiro turno”, disse.

Na sequência, fez sua principal projeção sobre o momento atual:

“Mas eu acredito hoje, hoje eu acredito mais no segundo turno”, completou.

O pesquisador ressaltou, no entanto, que o quadro ainda pode mudar durante a campanha e rejeitou previsões definitivas. Para ele, debates, acontecimentos políticos, estratégias de comunicação e eventuais fatos novos terão peso decisivo até a votação.

No cenário nacional, Gomes também avaliou que Lula mantém vantagem sobre Flávio Bolsonaro, mas disse que a eleição presidencial continua aberta e tende a ser apertada. Segundo ele, enquanto Lula concentra aproximadamente 90% dos eleitores identificados com a esquerda e com o lulismo, Flávio tem desempenho semelhante entre os bolsonaristas, mas encontra maior dificuldade entre eleitores de direita que não se identificam diretamente com o ex-presidente Jair Bolsonaro.

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