Em sua primeira missa de Páscoa, Papa Leão XIV denuncia ‘indiferença’ diante dos milhares de mortos nas guerras

O pontífice reafirmou sua posição contrária à guerra como instrumento político ou religioso e voltou a defender a busca por soluções pacíficas

O Papa Leão XIV usou sua mensagem de Páscoa para fazer um apelo direto a líderes mundiais, criticando a condução de guerras e a falta de resposta diante do aumento de vítimas em conflitos armados. Ao abordar o cenário internacional, o pontífice denunciou o que classificou como “indiferença” diante de milhares de mortos e conclamou autoridades a reverem suas decisões.

Durante a celebração, ele fez um chamado explícito aos governantes, afirmando que é necessário que aqueles que detêm poder assumam uma postura em favor do fim da violência. O Papa pediu que esses líderes “escolham a paz”. As informações são do jornal O Globo.

Discurso reforça condenação à guerra

As declarações reforçam posicionamentos recentes do pontífice, que já vinha adotando um tom crítico em relação a conflitos armados. No Domingo de Ramos, em cerimônia realizada na Praça de São Pedro diante de milhares de fiéis (foto da reportagem), Leão XIV afirmou que Deus não acolhe preces de líderes que incentivam guerras.

Sem citar nomes, ele direcionou críticas a governantes envolvidos em confrontos e declarou que Jesus “não escuta as orações daqueles que fazem guerra, mas as rejeita, dizendo: ‘Mesmo que façam muitas orações, não as ouvirei: suas mãos estão cheias de sangue’”.

Referência a conflitos no Oriente Médio

Ao tratar da situação no Oriente Médio, o pontífice mencionou o impacto direto das guerras sobre populações civis, com destaque para comunidades cristãs na região. Ele classificou o cenário como grave e destacou as dificuldades enfrentadas por fiéis em meio à violência.

Segundo Leão XIV, cristãos no Oriente Médio “estão sofrendo as consequências de um conflito atroz”, o que compromete até mesmo a celebração de datas religiosas como a Páscoa.

A menção ocorre em meio à escalada de tensões envolvendo o Irã, tema que também foi abordado pelo papa em seus pronunciamentos recentes.

Apelo por cessar-fogo e rejeição à violência

O pontífice reafirmou sua posição contrária à guerra como instrumento político ou religioso e voltou a defender a busca por soluções pacíficas.

“Este é o nosso Deus: Jesus, Rei da Paz, que rejeita a guerra, a quem ninguém pode usar para justificar a guerra”, afirmou.

Em sua homilia, Leão XIV recorreu à trajetória de Jesus para sustentar sua argumentação. “(Jesus) não se armou, nem se defendeu, nem travou guerra alguma”, disse, acrescentando que ele “revelou o rosto sereno de Deus, que sempre rejeita a violência. Em vez de se salvar, permitiu ser pregado na cruz”.

Nos últimos dias, o Papa também intensificou críticas a ações militares, incluindo bombardeios aéreos, que classificou como indiscriminados. Ele defendeu a proibição desse tipo de ataque e reiterou a necessidade de um cessar-fogo imediato nos conflitos em curso.

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