Em seu primeiro Natal como líder da Igreja Católica, o Papa Leão XIV deu destaque ao drama vivido pelos palestinos na Faixa de Gaza e fez duras críticas aos conflitos armados que marcam o cenário internacional. Durante a tradicional bênção Urbi et Orbi, nesta quinta-feira (25), na praça São Pedro, o pontífice classificou como “absurdos” os discursos que alimentam as guerras e ampliam o sofrimento de populações civis.
Ao relembrar o nascimento de Jesus em um estábulo, Leão XIV traçou um paralelo direto com a realidade enfrentada por milhares de famílias em Gaza. Segundo ele, a narrativa cristã do Natal revela um Deus que escolheu habitar a fragilidade humana. “Como, então, podemos não pensar nas tendas em Gaza, expostas por semanas à chuva, ao vento e ao frio?”, questionou, ao citar as condições precárias enfrentadas pelos palestinos.
Gaza no centro da mensagem natalina
O Papa afirmou que a cena do presépio não pode ser dissociada do sofrimento contemporâneo causado pelas guerras. Para ele, a situação em Gaza simboliza as “feridas abertas” deixadas pelos conflitos atuais. Leão XIV já havia se manifestado outras vezes sobre a guerra entre Israel e Hamas e, em novembro, reuniu-se com o presidente da Autoridade Palestina, Mahmoud Abbas, quando o Vaticano defendeu a busca por uma solução de dois Estados.
Apesar do cessar-fogo firmado em outubro, organizações internacionais alertam que a situação humanitária no território palestino permanece grave. Um relatório recente da Classificação Integrada de Fases de Segurança Alimentar, iniciativa apoiada pela ONU, indicou que a fome foi parcialmente contida, mas ressaltou que os avanços são considerados extremamente frágeis.
Crítica aos discursos bélicos e às guerras em curso
Durante a homilia, Leão XIV ampliou a crítica às guerras em diferentes regiões do mundo. Ele afirmou que os conflitos destroem não apenas cidades, mas também vidas e perspectivas futuras. “Frágil é a carne das populações indefesas, provadas por tantas guerras em curso ou concluídas, que deixam escombros e feridas abertas”, disse.
O Papa também mencionou o impacto das guerras sobre jovens enviados aos campos de batalha, que, segundo ele, são vítimas de narrativas vazias e decisões políticas distantes da realidade humana.
Apelo por diálogo entre Rússia e Ucrânia
Ao falar sobre a guerra no Leste Europeu, Leão XIV pediu que Rússia e Ucrânia encontrem coragem para retomar negociações. Ele incentivou o diálogo “sincero, direto e respeitoso”, com o apoio da comunidade internacional, e disse rezar de forma especial pelo povo ucraniano, atingido pelo maior conflito europeu desde a Segunda Guerra Mundial.
O pontífice também citou guerras e tensões em países como Sudão, Mali, Mianmar, Tailândia e Camboja, reforçando o pedido pelo fim de todos os conflitos armados.
Imigrantes, América Latina e críticas à exclusão
Além das guerras, o Papa lamentou a situação de imigrantes e refugiados no continente americano. Nascido em Chicago e com cidadania americana e peruana, Leão XIV evitou referências diretas a governos, mas reforçou que negar ajuda a pobres e estrangeiros equivale a rejeitar a mensagem cristã.
Ao mencionar a América Latina, o pontífice pediu que líderes políticos priorizem o diálogo e o bem comum diante dos desafios da região. Segundo ele, o Natal deve inspirar escolhas que superem divisões ideológicas e exclusões sociais, em favor da paz e da dignidade humana.






Deixe um comentário