O julgamento de Jairo Souza Santos Júnior, o Jairinho, e Monique Medeiros pela morte do menino Henry Borel entrou, nesta segunda-feira (1º), em seu oitavo dia consecutivo de sessões no 2º Tribunal do Júri da Capital, no Centro do Rio. A audiência começou com o depoimento do perito Leonardo Huber Tauil, do Instituto Médico-Legal (IML), responsável pela assinatura dos laudos de necrópsia e dos documentos complementares produzidos durante a investigação.
A oitiva foi solicitada pela defesa de Jairinho, que desde o início do processo questiona a validade e a confiabilidade dos laudos periciais que embasaram a acusação. Os advogados sustentam que houve irregularidades na produção dos documentos e defendem a anulação das provas técnicas. Após o perito, também está previsto o depoimento do médico Jefferson Evangelista Corrêa, que atua como assistente técnico.
Antes mesmo da abertura dos trabalhos, o clima já era de forte comoção nos arredores do Tribunal de Justiça. Uma carreata com cerca de 20 veículos saiu do condomínio onde Henry morava, na Barra da Tijuca, e seguiu em comboio até o Centro do Rio. Um dos automóveis carregava painéis de LED exibindo fotos do menino, em uma manifestação que pedia justiça pela criança.
Laudos apontaram que houve homicídio
Os laudos assinados por Leonardo Tauil tiveram papel central na investigação. O primeiro documento, elaborado no dia da morte, em 8 de março de 2021, apontou que Henry morreu em decorrência de hemorragia interna e laceração hepática causadas por ação contundente. Exames posteriores identificaram diversas lesões pelo corpo da criança e concluíram que a morte foi resultado de homicídio, descartando a hipótese de acidente doméstico.
Segundo a denúncia do Ministério Público, Jairinho foi o autor das agressões que provocaram a morte do menino. Já Monique Medeiros responde sob a acusação de ter conhecimento das agressões sofridas pelo filho e não ter agido para impedir a sequência de violência.
Depoimento da babá marcou o sétimo dia
O sétimo dia do julgamento, realizado neste domingo (31), foi marcado pelo depoimento da babá Thayná de Oliveira Ferreira, considerada uma das testemunhas mais aguardadas do processo.
Durante mais de quatro horas de depoimento, ela relatou situações que classificou como suspeitas envolvendo Jairinho. Segundo a testemunha, em pelo menos três ocasiões o ex-vereador levou Henry para um quarto, permaneceu sozinho com ele e, posteriormente, o menino apresentou dores ou comportamento diferente.
Thayná afirmou ainda que comunicava os episódios à mãe da criança e relatou ter sido orientada, após a morte de Henry, a apagar mensagens trocadas com Monique Medeiros e a reforçar a versão de que a família vivia em harmonia.
O depoimento ocorreu em meio a momentos de forte tensão emocional no plenário e discussões entre integrantes da acusação e da defesa.
Júri já é o mais longo do Rio em 18 anos
Ao entrar no oitavo dia consecutivo de sessões, o júri do caso Henry Borel já é oficialmente o mais longo do Rio de Janeiro nos últimos 18 anos. O julgamento bateu o recorde histórico desde que as regras do Tribunal do Júri mudaram, em 2008.
Apesar da duração já recorde, ainda restam etapas importantes para a conclusão do processo. Após o encerramento das oitivas das testemunhas, Jairinho e Monique serão interrogados perante os jurados. Em seguida, acusação e defesa apresentarão os debates finais antes da votação do Conselho de Sentença.
Henry Borel morreu em março de 2021, aos 4 anos, após dar entrada no Hospital Barra D’Or com múltiplas lesões internas e em parada cardiorrespiratória. Jairinho e Monique respondem por homicídio triplamente qualificado, tortura, coação no curso do processo, fraude processual e falsidade ideológica.






Deixe um comentário