O julgamento de Jairo Souza Santos Júnior, o Jairinho, e de Monique Medeiros pela morte do menino Henry Borel, de 4 anos, entra nesta sexta-feira (29) em uma etapa considerada decisiva pela acusação. O Tribunal do Júri do Rio de Janeiro ouvirá os peritos responsáveis pelos laudos que apontam que as lesões encontradas no corpo da criança são incompatíveis com acidente doméstico.
Os depoimentos do médico-legista Luiz Airton Saavedra de Paiva e do perito Luiz Carlos Leal Prestes são tratados como centrais no processo. Ambos sustentam, em pareceres anexados aos autos, que os ferimentos identificados em Henry indicam agressões físicas e não teriam sido provocados pelas tentativas de reanimação realizadas no Hospital Barra D’Or.
O julgamento ocorre no 2º Tribunal do Júri da Capital, no Centro do Rio, e já chegou ao quinto dia de sessões. Até a noite de quinta-feira (28), dez das 27 testemunhas previstas haviam sido ouvidas pela Justiça.
Relatos de ex-companheiras marcaram audiência
A quinta-feira foi dominada por depoimentos de mulheres que tiveram relacionamento com Jairinho, além de profissionais que conviviam com o casal antes da morte de Henry.
A primeira testemunha do dia foi Kaylane de Oliveira Duarte Pereira, de 18 anos, filha de Natasha Machado, ex-namorada do ex-vereador. Ela relatou lembranças de supostas agressões sofridas na infância e afirmou que o caso Henry trouxe à tona memórias traumáticas.
Segundo Kaylane, Jairinho praticava agressões quando os dois estavam sozinhos. A jovem contou episódios em que teria recebido socos na cabeça e sido afundada em uma piscina até encostar no fundo.
A testemunha também afirmou que passou a sentir culpa após a morte de Henry, acreditando que, se tivesse denunciado anteriormente os episódios vividos, o desfecho poderia ter sido diferente. Ela declarou ainda que Jairinho dizia que a presença dela atrapalhava a relação com sua mãe.
Ex-namorada relata perseguição e intimidação
Na sequência, Natasha de Oliveira Machado confirmou os relatos feitos pela filha e afirmou que só tomou conhecimento das agressões após o fim do relacionamento com Jairinho.
Ela declarou que não procurou a polícia na época porque acreditava que a influência política do ex-vereador e de seu pai impediria qualquer avanço das denúncias. Natasha também relatou episódios de perseguição após o término do relacionamento.
Segundo a testemunha, Jairinho costumava permanecer próximo à residência dela e teria feito ameaças psicológicas e humilhações públicas. Natasha afirmou ainda que foi alvo de intimidações após o vazamento de uma foto íntima.
Durante o depoimento, ela negou ter recebido qualquer orientação de Leniel Borel, pai de Henry, para prestar declarações no julgamento.
Testemunha afirma que filho revelou agressões
Outra testemunha ouvida foi Débora Mello Saraiva, que manteve relacionamento com Jairinho entre 2014 e 2020.
Ela afirmou que o filho revelou episódios de agressão após assistir pela televisão a reportagens sobre a morte de Henry Borel. Segundo Débora, a criança contou que Jairinho teria pisado em sua barriga e rido da situação.
Débora também acusou o ex-vereador de violência sexual. Em depoimento, afirmou que teria sido dopada durante um episódio ocorrido enquanto estava em casa.
A testemunha iniciou sua fala dizendo que ainda sente medo e raiva do acusado por situações que afirma ter vivido durante o relacionamento.
Funcionárias relataram comportamento de Monique no dia da morte
A empregada doméstica Leila Rosângela de Souza Mattos, que trabalhou para Jairinho e Monique entre janeiro e março de 2021, afirmou que nunca presenciou discussões ou agressões no apartamento do casal.
Ela contou que, no dia da morte de Henry, recebeu uma ligação de Monique dispensando-a mais cedo do trabalho. Ao deixar o prédio, disse ter encontrado a mãe do menino chegando ao local e afirmando que a criança havia morrido.
Já a cabeleireira Tereza Cristina dos Santos relatou um episódio ocorrido em fevereiro de 2021, data apontada pela acusação como um possível caso anterior de agressão.
Segundo ela, Henry apareceu em uma chamada de vídeo reclamando de dores e afirmando que “o tio” havia lhe dado “uma banda”. A testemunha também disse que Monique perguntou sobre lojas que vendiam câmeras de monitoramento, mas manteve o atendimento no salão normalmente antes de decidir sair.
A manicure Paloma dos Santos Meireles confirmou as informações apresentadas pela cabeleireira e afirmou que Monique demonstrou nervosismo após receber uma ligação de Jairinho durante o período em que estava no estabelecimento.
Julgamento ainda deve durar mais uma semana
Com apenas dez testemunhas ouvidas até agora, a expectativa entre participantes do julgamento é que o processo ainda se estenda por vários dias.
Após a fase de depoimentos dos peritos e das testemunhas de acusação, o Tribunal ouvirá as testemunhas de defesa indicadas pelos réus. Entre os nomes aguardados está o de Leniel Borel, pai de Henry.
Na sequência, Jairinho e Monique serão interrogados em plenário antes dos debates finais entre acusação e defesa. Somente depois dessa etapa o Conselho de Sentença decidirá o veredicto do caso.
A previsão é de que o julgamento siga ao longo da próxima semana até a conclusão dos trabalhos.






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