O papa Leão XIV celebra neste fim de semana a primeira Páscoa de seu pontificado em um cenário marcado por tensões internacionais e pelo impacto direto da guerra no Oriente Médio sobre comunidades cristãs. A data, considerada a mais importante do calendário católico, ocorre um ano após a morte de seu antecessor, Papa Francisco, e sob a sombra de um conflito que tem afetado diretamente a prática religiosa na Terra Santa.
A Semana Santa teve início em meio a um episódio considerado incomum pelas autoridades católicas. O patriarca latino de Jerusalém, Pierbattista Pizzaballa, foi impedido de entrar no Santo Sepulcro por autoridades israelenses — uma restrição que, segundo a Igreja, não ocorria há séculos.
Celebrações em meio ao conflito
A escalada da guerra, que já dura mais de um mês, tem dificultado a realização das celebrações religiosas em regiões tradicionalmente centrais para o cristianismo. Em Jerusalém, a Cidade Antiga apresenta movimento reduzido e forte esquema de segurança. Já no sul do Líbano, comunidades cristãs estão diretamente expostas aos bombardeios.
No último domingo, durante a Missa de Ramos, Leão XIV mencionou os efeitos do conflito sobre os fiéis. “os cristãos sofram as consequências de um conflito atroz” e se vejam impedidos de “viver plenamente os ritos dos dias santos”.
A situação tem levado a um esvaziamento progressivo da presença cristã na região, agravado pelo temor de deslocamento permanente.
“Muitos têm medo de partir e não conseguir retornar para suas casas, diante da intenção declarada de Israel de ocupar esta região”, afirma o monsenhor Hugues de Woillemont, diretor-geral da ‘L’Oeuvre d’Orient’, organização que presta apoio a cristãos no Oriente Médio.
Roma recebe fiéis e relembra Francisco
Apesar do cenário internacional, Roma se prepara para receber dezenas de milhares de peregrinos. As celebrações do Tríduo Pascal começaram na Quinta-feira Santa, com missas na Basílica de São Pedro e na Basílica de São João de Latrão.
A memória de Francisco ainda é recente entre os fiéis. Em 2025, o pontífice argentino fez suas últimas aparições públicas durante a Semana Santa e faleceu um dia após o Domingo de Páscoa, após saudar a multidão na Praça de São Pedro.
Neste ano, o discurso que antecede a tradicional bênção “Urbi et Orbi” será acompanhado com atenção especial. A expectativa é de que Leão XIV aborde os impactos humanitários e econômicos do conflito no Oriente Médio.
Até o momento, o papa tem adotado uma postura diplomática cautelosa, evitando críticas diretas ao papel dos Estados Unidos, seu país de origem, na guerra iniciada em 28 de fevereiro.
Ritos tradicionais e mudanças simbólicas
Na programação litúrgica, o pontífice retomará práticas tradicionais. Uma delas é a cerimônia do lava-pés, que será realizada com 12 padres romanos, recriando o gesto de Jesus com seus apóstolos.
A decisão marca uma mudança em relação ao pontificado de Francisco, que havia deslocado o ritual para contextos sociais, como visitas a detentos, migrantes e pessoas em situação de vulnerabilidade.
Nesta sexta-feira, Leão XIV presidirá participará da Via-Sacra no Coliseu de Roma, um dos eventos mais emblemáticos da Semana Santa. Segundo informações do Vaticano, o papa deverá carregar a cruz ao longo das 14 estações da cerimônia, retomando um gesto realizado por João Paulo II e, posteriormente, por Bento XVI.
No Sábado Santo, será celebrada a Vigília Pascal na Basílica de São Pedro, com a bênção do círio pascal, símbolo da ressurreição e da passagem das trevas para a luz.
Agenda internacional e próximos passos
Após as celebrações, Leão XIV deve iniciar sua primeira viagem internacional como papa. Entre os dias 13 e 23 de abril, estão previstas visitas à Argélia, Camarões, Angola e Guiné Equatorial, em uma agenda que deve reforçar a presença da Igreja Católica no continente africano.
A combinação entre compromissos litúrgicos e desafios geopolíticos coloca a primeira Páscoa do pontífice sob forte atenção internacional, em um momento em que a Igreja busca equilibrar tradição, diplomacia e resposta a crises globais.






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