O dólar voltou a ganhar força nesta sexta-feira e atingiu R$ 5,15, alcançando o maior valor intradiário em quase dois meses. O movimento foi impulsionado pela divulgação de dados do mercado de trabalho dos Estados Unidos, que vieram muito acima das projeções dos analistas e reforçaram a percepção de que os juros americanos devem permanecer elevados por mais tempo.
O principal indicador divulgado mostrou que a economia americana criou 172 mil vagas de emprego em maio fora do setor agrícola. O resultado superou com folga a expectativa do mercado, que previa a abertura de cerca de 88 mil postos de trabalho. Além disso, os números dos meses anteriores foram revisados para cima.
A taxa de desemprego nos Estados Unidos permaneceu em 4,3%, enquanto o ganho médio por hora trabalhada registrou alta de 0,3%. Os números reforçam a avaliação de que a maior economia do mundo continua resiliente, mesmo diante do cenário de juros elevados.
Juros dos EUA seguem no radar
Com a economia americana demonstrando força, investidores passaram a reduzir as apostas em cortes de juros pelo Federal Reserve (Fed), o banco central dos Estados Unidos. A manutenção de taxas elevadas torna os ativos americanos mais atrativos para investidores globais, aumentando a demanda pelo dólar.
Esse movimento tem reflexos diretos em diversos mercados ao redor do mundo. Quando mais recursos migram para os Estados Unidos, há uma redução da oferta de dólares em outros países, pressionando a cotação da moeda americana.
Especialistas destacam ainda que a inflação nos EUA continua acima da meta desejada, o que reforça a cautela da autoridade monetária americana na condução da política de juros.
Bolsa perde força e CDI assume vantagem
Enquanto o dólar avançava, a Bolsa brasileira voltou a sofrer pressão. O Ibovespa chegou a cair abaixo dos 170 mil pontos durante o pregão e caminha para registrar a oitava semana consecutiva de perdas, uma sequência inédita desde a criação do Plano Real.
O cenário também provocou uma mudança importante para os investidores. Os investimentos atrelados ao CDI passaram a apresentar desempenho superior ao da Bolsa em 2026. Até o início de junho, o CDI acumulava valorização de 5,83%, enquanto o mercado acionário seguia pressionado por fatores externos e pela retirada de recursos estrangeiros.
Analistas apontam que, além dos dados econômicos americanos, fatores geopolíticos e movimentos de realização nos mercados internacionais também contribuem para a volatilidade observada nas últimas semanas.
Com o foco dos investidores voltado para os próximos passos do Fed, a tendência é que novos indicadores da economia americana continuem exercendo forte influência sobre o dólar, a Bolsa e os investimentos no Brasil.






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