Denunciada pelo MP por fraude e corrupção, Usina Canabrava tenta na Justiça voltar a operar

Com as operações suspensas por conta do cancelamento de sua inscrição na Fazenda estadual, após denúncia do Ministério Público sobre um consistente conjunto de sonegações e fraudes fiscais estruturadas, o Usina Canabrava tenta na Justiça voltar a funcionar. Protocolou, em 28 de março último, recurso com pedido de liminar, alegando cumprir função social, por, supostamente,…

Com as operações suspensas por conta do cancelamento de sua inscrição na Fazenda estadual, após denúncia do Ministério Público sobre um consistente conjunto de sonegações e fraudes fiscais estruturadas, o Usina Canabrava tenta na Justiça voltar a funcionar. Protocolou, em 28 de março último, recurso com pedido de liminar, alegando cumprir função social, por, supostamente, comprar cana de açúcar de produtores da região Norte Fluminense.

A ação foi ajuizada após tentativas frustradas de reverter o caso administrativamente. O enorme volume de irregularidades apontado pela fiscalização estadual resultou em 112  multas num total de R$ 240 milhões em cobrança já na dívida ativa. No âmbito da Secretaria de Fazenda é improvável qualquer mudança de posição, dado o convencimento de que a empresa opera de modo lesivo ao interesse público.  Não se trata de uma ou duas infrações isoladas. O conjunto é contundente.

Segundo o Ministério Público,  a Canabrava,  opera como uma usina de fachada para a “lavagem” tributária do álcool trazido clandestinamente de outros estados, especialmente de São Paulo. Com pequena produção efetiva, distribui volumes extraordinários de combustível como sem fossem de sua produção, beneficiando-se da alíquota de ICMs de apenas 3%, concedida aos produtores fluminenses. Em resumo, usa o benefício numa operação fraudulenta, ludibriando o fisco e obtendo lucros extraordinários em desfavor do erário.

O volume de informações catalogadas pelo Ministério Público sobre as atividades ilícitas da Usina Canabrava, em Campos do Goytacazes, é estarrecedor. Com base neste minucioso levantamento, os promotores do Grupo de Combate à Sonegação solicitaram à época a suspensão das atividades da empresa controlada por Rodrigo Luppi, acusado pela CPI dos combustíveis como um dos maiores adulteradores de combustível do Brasil. Na ação ajuizada, também foi requerido o cancelamento do incentivo fiscal concedido pelo Governo do Rio. E solicitada a devolução de mais de R$ 271 milhões aos cofres públicos por irregularidades nos benefícios fiscais obtidos.

Em 2016, a  Agencia Nacional de Petróleo  realizou a maior apreensão de combustíveis da história do País: foram 16 milhões de litros apreendidos de etanol adulterados com metanol, que teriam sido adulterados na Usina Canabrava. A adulteração,  além de trazer prejuízo de milhões de reais para o erário fluminense, colocou  em risco o motor de dezenas de milhares de veículos no Estado do Rio de Janeiro e principalmente a vida de milhares de pessoas, pois o metanol  pode matar em questão de segundos com o mero contato com a pele

Veja a reportagem do RJ TV sobre as fraudes da Canabrava: RJTV mostra o esquema de fraudes da Canabrava e torna insustentável a manutenção de incentivos fiscais à empresa

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