O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva enfrenta um cenário de incerteza no Senado diante da possível rejeição da indicação de Jorge Messias ao Supremo Tribunal Federal (STF). Aliados do Planalto avaliam que uma articulação liderada pelo senador Davi Alcolumbre pode comprometer a aprovação.
Enquanto Messias passa por sabatina na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) nesta quarta-feira, governistas demonstram preocupação com a contagem de votos no plenário. Um dos principais interlocutores do governo calcula que há, até o momento, 39 votos favoráveis — dois a menos que o mínimo necessário para confirmar a indicação, informa Bernardo Mello Franco, em O Globo.
Articulação política acende alerta no Planalto
Nos bastidores, aliados de Lula solicitaram uma reunião emergencial com o presidente do Senado para discutir o cenário e tentar reverter resistências. Embora Alcolumbre tenha recebido Messias na semana anterior, o senador não assumiu compromisso de apoio, o que aumentou a tensão entre governistas.
Mais cedo, o líder do governo no Senado, Jaques Wagner, sugeriu de forma indireta que Alcolumbre poderia estar atuando contra a aprovação. Questionado sobre uma possível interferência do presidente da Casa nas negociações, Wagner respondeu em tom irônico: “Se ele estiver operando, é bom sinal, porque está vendo que nós vamos ganhar”.
Pressão religiosa e mobilização por votos
Além da articulação política, lideranças religiosas também intensificaram a atuação nos corredores do Senado. Pastores ligados à Assembleia de Deus Madureira, como Samuel Ferreira e Abner Ferreira, têm feito corpo a corpo com parlamentares em busca de apoio à indicação.
A mobilização inclui visitas a gabinetes e presença constante na CCJ, em uma tentativa de influenciar indecisos e consolidar votos favoráveis ao nome indicado pelo governo.
Possível rejeição seria histórica
Caso a indicação de Messias seja rejeitada, o episódio marcaria um fato inédito em mais de um século. A última vez que o Senado barrou um indicado ao Supremo ocorreu em 1894, durante o governo de Floriano Peixoto.
Diante desse cenário, o Planalto intensifica negociações de última hora para evitar uma derrota considerada histórica e politicamente significativa.






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