Normalmente esvaziado, o expediente final da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj) registrou um quórum alto nesta quarta-feira (29). O motivo foi a megaoperação da polícia nos complexos do Alemão e da Penha, que deixou até agora 121 mortos, entre eles quatro policiais que serão homenageados pela Casa com a Medalha Tiradentes.
Logo no início da sessão, o presidente da Alerj, Rodrigo Bacellar (União Brasil), pediu que as manifestações sobre a operação fossem feitas apenas após a votação da ordem do dia, para não comprometer o andamento das pautas.
A decisão, no entanto, não impediu que o plenário se transformasse em palco de embates intensos entre parlamentares da base bolsonarista e deputados de oposição.
Oposição cobra investigação e fala em chacina
A oposição, que já protocolou um pedido de criação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para investigar as circunstâncias e responsabilidades da operação, classificou a ação como uma chacina. o governador Cláudio Castro também será denunciado à Corte Interamericana de Direitos Humanos, em razão das possíveis violações cometidas durante a operação.
A deputada Dani Monteiro (PSOL) afirmou que a operação foi uma ação política e equivocada, sem resultados concretos na redução da violência.
“O que mudou com a operação? O governo apresentou algum projeto social para que o jovem não seja cooptado pelo tráfico? Não apresentou. É violência armada contra a favela. Se não investir no jovem hoje, amanhã será bala”, declarou.
A petista Veronica Lima também criticou o governador Cláudio Castro e afirmou que ele mente ao dizer que o governo federal não tem apoiado o Estado.
“Castro solicitou 11 vezes apoio federal e em todas foi atendido. É fácil desmascarar o governador, já que é incompetente, não tem planejamento e não sabe como gastar os R$ 19 milhões disponíveis da União. Ele manchou a imagem do Rio no mundo e depois mente”, disse.
Aliados do governo defendem a operação
Deputados da base aliada e da chamada “bancada da bala” saíram em defesa da ação policial. O líder do governo, Rodrigo Amorim (União Brasil), classificou a operação como um marco.
“Foi um dia de libertação. A esquerda está aqui para lacrar e fazer vídeos contra a polícia. O cidadão de bem aprova o que aconteceu, uma ação enérgica das forças de segurança, de retomada de território. O policial esteve lá para liberar a cidade”, afirmou.
Jorge Felippe Neto (Avante) também defendeu a legalidade da ação. “Prendemos 46 mil criminosos no ano passado, mas 90% saíram por audiência de custódia. Metade da cidade está sob domínio do tráfico. Ontem toda a legalidade foi utilizada. Quem abaixou o fuzil, foi preso; quem não abaixou, morreu. Foi legítima defesa”, disse.
Clima de tensão e trocas de acusações
O clima mais tenso ocorreu quando o deputado Marcelo Dino (União Brasil) reclamou de ironias da oposição ao criticar a decisão do Supremo Tribunal Federal na ADPF das Favelas. Assim como Márcio Gualberto (PL), ele atribuiu à medida judicial parte da dificuldade das forças policiais em enfrentar o crime organizado.
Outros parlamentares endureceram o discurso. Filippe Poubel (PL) afirmou que “morreram pouco” e elogiou a atuação da polícia. “Foi uma ação de libertação. O governador Cláudio Castro foi ótimo. É guerra, e guerra sempre terá efeito colateral.”
Já Alan Lopes (PL) rebateu as críticas da esquerda. “Ouvi falar em chacina, massacre. Chacina é o que o tráfico faz com a população. Tenho certeza de que a população de bem está com nojo dessa gente que defende vagabundo”, disse.






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