A sessão ordinária da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj), nesta quarta-feira (03) começou de forma aparentemente tranquila, mas rapidamente ganhou contornos tensos com a repercussão indireta da prisão do presidente da Casa, Rodrigo Bacellar (União Brasil), alvo de operação da Polícia Federal.
Embora nenhum deputado tenha mencionado o assunto no início dos trabalhos, o clima mudou abruptamente durante a votação de um projeto que, em tese, não despertaria controvérsias.
O estopim foi a análise do Projeto de Lei 3905-A/2024, do deputado Jari Oliveira (PSB), que incluía no calendário oficial do Estado o Dia Estadual de Combate à Poluição do Ar, a ser celebrado em 17 de julho.
Durante a votação, o líder do governo, Rodrigo Amorim (União Brasil), pediu verificação de votação, o que exige conferência do quórum. A iniciativa incomodou o líder do PSB, Carlos Minc, que relacionou o gesto à prisão de Bacellar.
O deputado declarou que não enxergava motivo para resistência ao projeto e afirmou entender que o pedido teria sido uma forma de criar entraves regimentais em meio à crise na Presidência da Casa. Segundo ele, o momento político pairava sobre a sessão e todos estavam preocupados com o episódio envolvendo Bacellar. Assista:
Troca de farpas entre Minc e Amorim
A fala provocou reação imediata de Amorim, que classificou a avaliação do colega como irresponsável. O líder governista assegurou que não havia qualquer relação entre o pedido de verificação e a situação de Bacellar.
Ele sustentou que a proposta, apesar de simples, possui viés ideológico e que o plenário tem obrigação de debater esses posicionamentos. Amorim ainda afirmou que não houve ruptura institucional e que os trabalhos da Casa seguiram normalmente.
Minc pediu desculpas, mas disse seguir surpreendido com a justificativa, destacando que até aquele momento nenhum parlamentar havia se manifestado sobre a prisão do presidente da Alerj.
Clima de surpresa e queda de quórum
Flávio Serafini (Psol) também se pronunciou, afirmando que teve a mesma impressão de Minc e que a sessão acumulava duas surpresas: a prisão de Bacellar e o pedido de verificação do líder do governo. A fala, porém, foi interrompida pelo deputado Guilherme Delaroli (PL), que presidia a sessão e pediu foco na pauta, dizendo que qualquer tema fora da ordem do dia deveria ser tratado no expediente final.
A verificação de presença resultou em 21 votos registrados — 18 favoráveis e três contrários ao projeto — número insuficiente para manter os trabalhos. O quórum mínimo necessário era de 35 deputados. Com isso, a sessão caiu e foi encerrada sem a realização do expediente final.
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