O empresário Fabiano Zettel confirmou à Polícia Federal, em depoimento nesta quinta-feira (5), que realizava pagamentos por determinação do cunhado, o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, sem questionar as ordens recebidas. Investigado no caso das fraudes financeiras do Banco Master, ele negou participação na ‘Turma’, grupo que a PF aponta como braço armado da organização criminosa supostamente comandada pelo ex-dono da instituição.
A oitiva durou aproximadamente 50 minutos, segundo interlocutores. Inicialmente previsto para o último dia 21, o depoimento havia sido cancelado e foi realizado nesta quinta-feira. Durante o procedimento, Zettel voltou a pedir a revogação de sua prisão preventiva.
No fim da tarde, porém, o presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Edson Fachin, rejeitou o pedido e manteve o empresário preso.
Fachin vê risco à investigação
Na decisão, Fachin afirmou que a prisão do suposto operador de Vorcaro permanece “adequada e indispensável à aplicação da lei penal, à manutenção da ordem pública e à conveniência da instrução criminal”.
O ministro seguiu o parecer da Procuradoria-Geral da República (PGR), que se manifestou contra a soltura. Para o órgão, a liberdade de Zettel poderia comprometer a obtenção de provas e permitir a prática de novos crimes.
Ao examinar os elementos reunidos na Operação Compliance Zero, Fachin ressaltou a existência de indícios concretos da “posição de destaque” ocupada pelo empresário no grupo investigado.
“Os fundamentos são coesos e específicos quando delimitam, com base em evidências indiciárias, os atos de gestão atribuídos a Fabiano Zettel”, afirmou o ministro.
Coaf identificou movimentação de R$ 99,2 milhões
As suspeitas sobre a atuação financeira de Zettel também se apoiam em um relatório do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf). Conforme revelou O GLOBO em março, o órgão identificou movimentações de R$ 99,2 milhões em sete meses, classificadas como “incompatível com a capacidade financeira”.
Entre junho de 2021 e janeiro de 2022, foram registrados R$ 49,9 milhões em entradas e R$ 49,3 milhões em débitos na conta analisada. O total corresponde a uma média de R$ 14,1 milhões movimentados a cada 30 dias, mais de duzentas vezes a renda mensal de R$ 66 mil declarada pelo empresário.
Segundo o Coaf, o perfil das operações indica que a conta “aparentemente” serviu ao “trânsito de recursos de terceiros”. Para os investigadores, essa movimentação reforça a suspeita de que Zettel atuava como operador financeiro de Vorcaro.







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