A perda de espaço do Banco Master no debate sobre a crise do Supremo Tribunal Federal (STF) produziu efeitos opostos sobre a percepção de Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Segundo levantamento da Datrix divulgado pela colunista Mônica Bergamo, da Folha de S. Paulo, o senador apresenta uma forte melhora no chamado “saldo de sentimento” quando o escândalo financeiro deixa de aparecer nas publicações. Com Lula, ocorre o contrário.
O estudo analisou 2,3 milhões de publicações entre 25 de agosto e 9 de setembro no X, Facebook, Instagram, YouTube, TikTok, Threads e em portais de notícias.
A Datrix utiliza o “saldo de sentimento” para avaliar o tom das publicações relacionadas a cada político. O indicador representa a diferença entre o percentual de menções positivas e negativas. Quanto mais elevado o resultado, melhor a percepção registrada no universo analisado.
Flávio passa de -34,1 para +25,2
A diferença mais expressiva aparece nos dados sobre Flávio Bolsonaro. Nas publicações em que o Banco Master era mencionado, o senador registrou saldo negativo de 34,1 pontos.
Quando as referências ao banco foram retiradas da análise, porém, o índice de Flávio passou para 25,2 pontos positivos. A diferença entre os dois cenários chega a 59,3 pontos.
Segundo a Datrix, o movimento ocorre porque Flávio aparece mais associado às acusações relacionadas ao escândalo nas publicações analisadas. Com o Banco Master deixando de ocupar o centro da discussão, parte das menções negativas vinculadas ao senador também desaparece.
Para Lula, o comportamento é diferente. O presidente registrou saldo de -36,8 quando o Banco Master aparecia nas publicações. Sem referências ao caso, o indicador piorava para -56.
Ao longo dos 16 dias considerados pelo levantamento, Lula permaneceu com saldo negativo. No conjunto do período, o resultado foi de -51,7.
Banco Master perde espaço na crise do STF
Os dados também mostram uma rápida redução da presença do Banco Master na discussão pública sobre a crise que envolve integrantes do Supremo.
Em 2 de setembro, o caso envolvendo a instituição financeira e o empresário Daniel Vorcaro estava presente em 53,7% das publicações relacionadas aos ministros Alexandre de Moraes e André Mendonça.
Uma semana depois, em 9 de setembro, essa participação havia despencado para 9,4%, o menor percentual registrado na série analisada.
À medida que o caso Master perdeu protagonismo, outros episódios passaram a dominar as publicações, especialmente o conflito entre ministros do STF e os embates relacionados à atuação da Polícia Federal.
“A conversa perdeu o fio da meada, e isso tem se mostrado pior para o presidente Lula que para o senador Flávio Bolsonaro”, afirma João Paulo Castro, CEO da Datrix. “Em duas semanas, imprensa e influenciadores foram atrás de cada capítulo novo e pararam de citar o Banco Master.”







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