A investigação da Polícia Federal sobre o Banco Master aponta uma relação de proximidade entre Daniel Vorcaro e servidores que ocupavam posições estratégicas no Banco Central, instituição responsável pela regulação e fiscalização do sistema financeiro. Segundo a PF, o banqueiro teria ajudado a custear viagens ao exterior e providenciado serviços para integrantes da autarquia e seus familiares.
As informações constam de documentos da investigação que tiveram o sigilo retirado na última quinta-feira pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF).
No relatório, a PF concentra parte das suspeitas em Paulo Sergio Neves de Souza, então chefe-adjunto do Departamento de Supervisão Bancária, e Belline Santana, ex-chefe do departamento.
De acordo com os investigadores, os dois “defendiam ativamente os interesses do Banco Master junto à autarquia federal, muitas vezes atuando como verdadeiros ‘empregados’ de Daniel Vorcaro”.
PF cita viagem à Disney
Um dos episódios relatados pela investigação envolve uma viagem de Paulo Sergio e sua família aos Estados Unidos. A Polícia Federal afirma ter identificado elementos de que Vorcaro “poderia estar ajudando o custeio de uma viagem para a Disney para Paulo Sergio e sua família”.
Segundo a investigação, o servidor enviou diretamente ao banqueiro o roteiro da viagem. Vorcaro encaminhou a mensagem a Leonardo Palhares, advogado apontado pela PF como seu operador, e solicitou que fosse providenciado um guia turístico para o grupo.
Em 5 de fevereiro de 2024, Paulo Sergio enviou uma mensagem agradecendo a Vorcaro.
“Bom dia! Léo acabou de me mandar mensagem. Obrigado mais uma vez!!! Estamos embarcando daqui a pouco”, escreveu.
Na sequência da conversa, o então integrante do Banco Central informou a Vorcaro que teria uma reunião com Ailton de Aquino, diretor de Fiscalização da própria autarquia, e antecipou alguns dos assuntos que poderiam surgir no encontro.
“Vão perguntar de estratégia. Nos moldes da reunião com o Presi [presidente]. Me perguntaram porque o banco está comprando bancos sem viabilidade (Banif, Voiter, Will). Expliquei que no processo de compra os bancos são adquiridos saneados e capitalizados”, escreveu.
Vorcaro respondeu: “ok, ótimo”.
Mensagens entram na investigação sobre atuação dentro do BC
Para a Polícia Federal, as conversas são relevantes porque mostram um servidor que atuava na supervisão bancária compartilhando com o controlador de uma instituição fiscalizada informações sobre questionamentos e discussões ocorridos dentro do próprio Banco Central.
O BC desempenha papel central na fiscalização das instituições financeiras e também participa da análise e autorização de operações relevantes envolvendo bancos. Por isso, a PF investiga se a relação entre Vorcaro e integrantes da autarquia ultrapassava os contatos institucionais esperados entre o órgão regulador e uma instituição submetida à sua supervisão.
A avaliação dos investigadores é de que Paulo Sergio e Belline teriam defendido interesses do Banco Master dentro da estrutura do Banco Central.
Viagem de Belline à França também é citada
As mensagens reunidas pela Polícia Federal indicam ainda que Vorcaro teria participado da organização de uma viagem de Belline Santana e sua mulher à França.
Conforme a investigação, o banqueiro tratou “com prestadores de serviços no exterior sobre reservas de restaurantes, recepção e logística” para atender Belline durante a viagem.
Os episódios envolvendo a Disney e a França integram o conjunto de elementos usados pela PF para investigar a relação de Vorcaro com integrantes do órgão responsável por fiscalizar o Banco Master.
A investigação busca esclarecer se vantagens oferecidas aos servidores tiveram relação com eventual atuação deles em benefício da instituição financeira dentro do Banco Central. As conclusões apresentadas no relatório correspondem às suspeitas levantadas pela Polícia Federal e ainda estão sujeitas à análise judicial e ao contraditório dos investigados.







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