A companhia aérea Emirates informou que o corpo de Juliana Marins, de 26 anos, brasileira que morreu depois de cair em um penhasco na trilha do Monte Rinjani, na Indonésia, vai chegar no Brasil nesta terça-feira (1º).
A empresa afirmou que “em coordenação com a família, novos preparativos foram feitos para o transporte”.
“A Emirates estende suas mais profundas condolências à família neste momento difícil”, conclui o comunicado.
Mais cedo, a companhia havia informado que o corpo seria levado de Bali para Dubai e, posteriormente, ao Rio de Janeiro no dia 2.
A Advocacia-Geral da União (AGU) ) informou que vai cumprir voluntariamente o pedido da família de Juliana Marins e refazer a autópsia do corpo da publicitária.
“Imagens de drones de turistas sugerem que Juliana tenha resistido ao acidente inicial e esperado dias pelo resgate. A expectativa é de que um novo exame, agora em território nacional, esclareça definitivamente as causas e o momento da morte da jovem brasileira”, diz a AGU em nota.
O órgão informa ter pedido uma audiência urgente com a Defensoria Pública da União (DPU) e com o Governo do Estado do Rio de Janeiro para definir a forma mais adequada de atender ao desejo da família. O pedido foi aceito pela Justiça e a previsão é que a audiência seja feita ainda nesta terça-feira (1º), às 15h.
Governador admite erro
O governador da província de Sonda Ocidental, Lalu Muhamad Iqbal, onde fica o Monte Rinjani, na Indonésia, divulgou uma carta aberta aos brasileiros sobre a morte da turista.
Em um vídeo publicado no Instagram, Iqbal lamentou a tragédia, prestou condolências à família e admitiu que a região carece de estrutura adequada para lidar com esse tipo de emergência.
“Estamos todos profundamente abalados por essa tragédia, especialmente por ter ocorrido aqui, em nossa terra natal. Quero assegurar que, desde o primeiro momento em que fomos informados do acidente, nossa equipe de resgate agiu com urgência e dedicação. Eles arriscaram a própria segurança para cumprir sua missão”, disse.
Segundo o governador, as equipes enfrentaram forte neblina, chuvas intensas e um terreno arenoso que impediu o uso seguro dos helicópteros mobilizados.
“O terreno arenoso próximo ao local criou riscos extremos para os dois helicópteros que mobilizamos, pois a entrada de areia nos motores tornava as operações de resgate aéreo inseguras. Reconhecemos que o número de profissionais certificados em resgate vertical ainda é insuficiente e que nossas equipes ainda carecem de equipamentos avançados para esse tipo de missão”, admite.
Relembre o caso
Juliana é natural de Niterói, no Rio de Janeiro, e estava em um mochilão pela Ásia quando o acidente aconteceu. Ela fazia uma trilha no vulcão Rinjani, um dos pontos turísticos mais populares da Indonésia, quando caiu em um precipício, na madrugada de sábado (21), no horário local — ainda sexta-feira (20) no Brasil.
O guia que acompanhava Juliana disse que ela não foi abandonada e que somente tinha parado para descansar. Ele garante que estava há 3 minutos do local onde ela descansava e chamou a equipe de resgate assim que ouviu os gritos de socorro.
Em entrevista ao Fantástico, Manoel Marins, pai da vítima, criticou duramente a atuação do guia responsável pela trilha e contou que a filha foi deixada sozinha em um ponto da montanha enquanto ele se afastou para fumar.
“Juliana falou para o guia que estava cansada e o guia falou: ‘senta aqui, fica sentada’. E o guia nos disse que ele se afastou por 5 a 10 minutos para fumar. Para fumar! Quando voltou, não avistou mais Juliana. Isso foi por volta de 4h. Ele só a avistou novamente às 6h08, quando gravou o vídeo e o enviou ao chefe dele”, detalhou o pai.






