O governador da província de Sonda Ocidental, Lalu Muhamad Iqbal, onde fica o Monte Rinjani, na Indonésia, divulgou uma carta aberta aos brasileiros sobre a morte da turista Juliana Marins, de 26 anos, que caiu de um penhasco durante uma trilha no vulcão.
Em vídeo publicado no Instagram, Iqbal lamentou a tragédia, prestou condolências à família e admitiu que a região carece de estrutura adequada para lidar com esse tipo de emergência.
“Estamos todos profundamente abalados por essa tragédia, especialmente por ter ocorrido aqui, em nossa terra natal. Quero assegurar que, desde o primeiro momento em que fomos informados do acidente, nossa equipe de resgate agiu com urgência e dedicação. Eles arriscaram a própria segurança para cumprir sua missão”, disse.
Segundo o governador, as equipes enfrentaram forte neblina, chuvas intensas e um terreno arenoso que impediu o uso seguro dos helicópteros mobilizados.
“O terreno arenoso próximo ao local criou riscos extremos para os dois helicópteros que mobilizamos, pois a entrada de areia nos motores tornava as operações de resgate aéreo inseguras. Reconhecemos que o número de profissionais certificados em resgate vertical ainda é insuficiente e que nossas equipes ainda carecem de equipamentos avançados para esse tipo de missão”, admite.
Iqbal também afirmou que muitos dos socorristas que participaram da operação eram voluntários e que a trilha do Rinjani precisa ser revista: “Também percebemos que a infraestrutura de segurança ao longo da trilha de Rinjani precisa ser aprimorada, já que essa montanha deixou de ser apenas um destino de trilha para se tornar uma atração turística internacional. Com essa consciência, estou totalmente comprometido, como governador, a iniciar uma revisão abrangente com todos os envolvidos na região do Rinjani”.
“Ele deixou minha filha para fumar”

Em entrevista ao Fantástico, Manoel Marins, pai da jovem, criticou duramente a atuação do guia responsável pela trilha. Ele contou que Juliana foi deixada sozinha em um ponto da montanha enquanto o guia se afastou para fumar.
“Juliana falou para o guia que estava cansada e o guia falou: ‘senta aqui, fica sentada’. E o guia nos disse que ele se afastou por 5 a 10 minutos para fumar. Para fumar! Quando voltou, não avistou mais Juliana. Isso foi por volta de 4h. Ele só a avistou novamente às 6h08, quando gravou o vídeo e o enviou ao chefe dele”, detalhou o pai.
A partir daí, a família aponta uma série de falhas. A brigada do parque só iniciou a subida às 8h30 e chegou ao local do acidente por volta das 14h, sem equipamentos adequados. “O único equipamento que eles tinham era uma corda. Jogaram a corda na direção da Juliana. Depois, no desespero, o guia amarrou a corda na cintura e tentou descer sem ancoragem”, disse Manoel.
A Defesa Civil da Indonésia só teria sido acionada à noite, e os profissionais só chegaram ao local por volta das 19h. O corpo de Juliana foi removido apenas na manhã de quarta-feira, quatro dias após a queda.
O laudo divulgado na sexta-feira (27) apontou que a causa da morte foi uma hemorragia interna provocada por lesão no tórax. A perícia indica que Juliana teria morrido entre 12h e 24h antes da remoção.
A Prefeitura de Niterói, cidade natal da publicitária, está custeando o traslado do corpo e, em homenagem a jovem, deu o nome dela a um mirante na Praia do Sossego, Região Oceânica. A data da chegada do corpo ao Brasil ainda não foi definida.






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