A companhia aérea Emirates anunciou nesta segunda-feira (30) que o corpo da brasileira Juliana Marins será transportado da Indonésia para o Brasil a partir desta terça-feira (1º). Em nota, a empresa informou que o voo parte primeiro para Dubai, com saída para o Rio de Janeiro prevista para o dia seguinte, 2 de julho.
“A companhia aérea priorizou a coordenação com as autoridades relevantes e outras partes envolvidas na Indonésia para facilitar o transporte, no entanto, restrições operacionais tornaram inviáveis os preparativos anteriores. A família foi informada sobre a confirmação das providências logísticas. A Emirates estende suas mais profundas condolências à família durante este momento difícil”, disse.
O anúncio foi feito após críticas da família da jovem, que acusou a Emirates de descaso com a repatriação do corpo. Em um perfil criado no Instagram para reunir informações sobre o caso, parentes denunciaram que a empresa teria cancelado de última hora o voo originalmente previsto, alegando falta de espaço no compartimento de carga.
Manoel Marins, pai de Juliana, está na Indonésia desde os primeiros dias após o acidente, tratando pessoalmente dos trâmites burocráticos.
Em entrevista ao Fantástico, ele criticou duramente a atuação do guia responsável pela trilha e contou que Juliana foi deixada sozinha em um ponto da montanha enquanto ele se afastou para fumar.
“Juliana falou para o guia que estava cansada e o guia falou: ‘senta aqui, fica sentada’. E o guia nos disse que ele se afastou por 5 a 10 minutos para fumar. Para fumar! Quando voltou, não avistou mais Juliana. Isso foi por volta de 4h. Ele só a avistou novamente às 6h08, quando gravou o vídeo e o enviou ao chefe dele”, detalhou o pai.
Nova autópsia
A família da publicitária solicitou que seja realizada uma nova autópsia no corpo da jovem, desta vez no Brasil. A informação foi divulgada na manhã desta segunda-feira (30), por meio de um perfil nas redes sociais criado para compartilhar atualizações sobre o caso.
Segundo a irmã da vítima, Mariana Marins, a solicitação foi encaminhada à Justiça Federal com o auxílio da Defensoria Pública da União no Rio de Janeiro (DPU-RJ), após articulação com o Gabinete de Gestão Integrada Municipal (GGIM) da Prefeitura de Niterói, cidade natal da jovem.
Na sexta-feira (27), o médico legista responsável pela análise inicial do corpo informou que o laudo preliminar indicou morte por trauma contundente. A lesão teria causado danos internos severos e hemorragia, levando à morte cerca de 20 minutos após o impacto.
De acordo com o perito, embora a primeira queda tenha ocorrido na trilha, Juliana pode ter sofrido outros tombos no dia seguinte, já que a área é extremamente íngreme. A hipótese mais provável é que uma dessas quedas subsequentes tenha provocado os ferimentos fatais. A morte teria ocorrido entre terça-feira (24) e quarta-feira (25), segundo a perícia.
Governador admite erro
O governador da província de Sonda Ocidental, Lalu Muhamad Iqbal, onde fica o Monte Rinjani, na Indonésia, divulgou uma carta aberta aos brasileiros sobre a morte da turista.
Em vídeo publicado no Instagram, Iqbal lamentou a tragédia, prestou condolências à família e admitiu que a região carece de estrutura adequada para lidar com esse tipo de emergência.
“Estamos todos profundamente abalados por essa tragédia, especialmente por ter ocorrido aqui, em nossa terra natal. Quero assegurar que, desde o primeiro momento em que fomos informados do acidente, nossa equipe de resgate agiu com urgência e dedicação. Eles arriscaram a própria segurança para cumprir sua missão”, disse.
Segundo o governador, as equipes enfrentaram forte neblina, chuvas intensas e um terreno arenoso que impediu o uso seguro dos helicópteros mobilizados.
“O terreno arenoso próximo ao local criou riscos extremos para os dois helicópteros que mobilizamos, pois a entrada de areia nos motores tornava as operações de resgate aéreo inseguras. Reconhecemos que o número de profissionais certificados em resgate vertical ainda é insuficiente e que nossas equipes ainda carecem de equipamentos avançados para esse tipo de missão”, admite.
Relembre o caso
Juliana é natural de Niterói, no Rio de Janeiro, e estava em um mochilão pela Ásia quando o acidente aconteceu. Ela fazia uma trilha no vulcão Rinjani, um dos pontos turísticos mais populares da Indonésia, quando caiu em um precipício, na madrugada de sábado (21), no horário local — ainda sexta-feira (20) no Brasil.
O guia que acompanhava Juliana disse que ela não foi abandonada e que somente tinha parado para descansar. Ele garante que estava há 3 minutos do local onde ela descansava e chamou a equipe de resgate assim que ouviu os gritos de socorro.





