A investigação sobre a morte da manicure Thaysa Campos dos Santos, assassinada aos 23 anos quando estava grávida de oito meses, ganhou novos desdobramentos após uma perícia identificar o principal suspeito do crime. Seis anos depois do caso, a análise técnica trouxe elementos que reforçam a acusação e podem impulsionar o andamento do processo.
Segundo os investigadores, a perícia comparou imagens de câmeras de segurança com registros feitos pela polícia, concluindo que o homem que aparece conduzindo a vítima para uma área próxima à linha férrea é Washington Franklin Souza da Silva, conhecido como Bolinho .
Perícia detalha identificação
O reconhecimento foi possível por meio de uma análise antropométrica conduzida por especialistas da Divisão de Evidências Digitais e Tecnologia do Ministério Público do Rio. Os peritos examinaram características corporais específicas, como padrão de caminhada, movimentação do corpo e outros elementos físicos.
“Nosso corpo é como uma chave que só abre uma fechadura. Ele deixa rastros, e nós somos únicos. Qualquer parte do corpo pode servir como chave para identificar alguém”, explicou Maria do Carmo Garglione, diretora do setor.
A conclusão de que se trata da mesma pessoa nas duas gravações fortaleceu a linha de investigação e permitiu avanços no caso.
Acusação e desdobramentos
O promotor Fábio Vieira apontou Washington como responsável pelos crimes de feminicídio, ocultação de cadáver e aborto. Com o aditamento da denúncia, o suspeito passou à condição de réu no processo.
“Foi algo maldoso e cruel. Não temos dúvidas da autoria do crime. A perícia concluiu que a pessoa no vídeo é Washington”, afirmou o promotor.
Apesar disso, não há mandado de prisão em vigor, e o acusado segue em liberdade.
Circunstâncias do crime
Thaysa desapareceu na madrugada de 4 de setembro de 2020, após sair da casa de uma amiga. Dias depois, em 10 de setembro, seu corpo foi encontrado em uma área de Deodoro, na Zona Oeste do Rio.
De acordo com laudo cadavérico, a jovem foi morta entre o momento em que foi vista pela última vez e o dia seguinte. O exame também indicou que ela deu à luz, mas não esclareceu se isso ocorreu antes ou depois da morte. Veja o vídeo da abordagem à Thaiza:
Investigação levanta dúvidas
O caso ainda levanta questionamentos sobre a dinâmica do crime e a possível participação de outras pessoas. Para a acusação, há indícios de que o corpo tenha sido transportado de outro local, o que poderia indicar envolvimento de mais de um autor.
Já a defesa do acusado contesta a perícia, afirmando que ela é “inapta, ilegal e arbitrária”, além de sustentar que o cliente estava em outro local no momento do crime .
Apelo da família
Familiares seguem em busca de respostas, especialmente sobre o paradeiro da criança que Thaysa esperava. A mãe da vítima, Jaqueline Campos, fez um apelo por informações.
“Acredito que agora vamos descobrir a verdade e saber onde está a criança: se está viva, morta. Quero saber o que aconteceu com a minha neta. Peço ajuda a quem souber de algo”, declarou .






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