Considerações finais do debate misturam ataques a Paes e promessas de mudança no Rio

André Marinho, William Siri, Douglas Ruas e Anthony Garotinho aproveitaram os últimos minutos para criticar o candidato do PSD e defender suas agendas

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O candidato Eduardo Paes (PSD) não estava no palco, mas terminou o primeiro debate entre os candidatos ao governo do Rio novamente no centro das atenções. Nas considerações finais do confronto deste domingo (9), os quatro participantes reservaram parte de seus últimos minutos para criticar o adversário ausente e, ao mesmo tempo, apresentar ao eleitor as linhas gerais de seus projetos para o Palácio Guanabara.

André Marinho (Novo), William Siri (PSOL), Douglas Ruas (PL) e Anthony Garotinho (Republicanos) aproveitaram o encerramento para reforçar diferenças políticas, defender propostas e explicar como pretendem conduzir o estado caso sejam eleitos.

Apesar das críticas recorrentes a Paes, as falas finais também revelaram estratégias distintas. Marinho apostou no discurso de renovação e combate à corrupção; Siri enfatizou sua origem popular; Ruas defendeu atenção às regiões que considera esquecidas pelo poder público; e Garotinho apresentou uma proposta direcionada aos servidores estaduais.

Marinho prega mudança política

André Marinho classificou como “reveladora” a ausência de Eduardo Paes e voltou a se apresentar como uma alternativa às forças políticas que já administraram o estado.

O candidato do Novo afirmou estar preparado para governar com uma equipe capaz de apresentar soluções para melhorar a qualidade de vida e aumentar o poder de compra da população.

Marinho também confirmou apoio a Romeu Zema no primeiro turno da eleição presidencial e defendeu a união da direita em uma eventual segunda rodada da disputa.

Ao criticar a gestão pública fluminense, adotou uma das frases mais contundentes de suas considerações finais: “O problema do Rio de Janeiro não é falta de dinheiro, é excesso de ladrão.”

“O novo sou eu, eles são o de novo”, afirmou, ao sustentar que pretende romper com modelos políticos que considera responsáveis pelos problemas do estado.

Siri se apresenta como candidato das periferias

William Siri concentrou sua fala na ligação com trabalhadores e moradores das áreas populares do estado. O candidato do PSOL agradeceu aos integrantes de sua chapa, à militância partidária e à família antes de dirigir sua mensagem ao eleitor.

“Você aqui viu que eu sou o único que conhece na pele realmente os problemas do estado do Rio de Janeiro”, afirmou.

Siri também voltou suas críticas para Eduardo Paes. Ao usar a imagem bíblica de Davi contra Golias para representar sua candidatura diante de concorrentes com maior estrutura política, incluiu o candidato do PSD entre seus adversários.

“A hora desse Davi aqui derrotar esses Golias e o Golias Eduardo Paes, que até agora também não veio e que correu”, declarou.

O vereador afirmou ainda que pretende combater o que chamou de “politicagem” e governar com participação da população. “Eu quero governar o Rio junto com você”, concluiu.

Ruas promete olhar para o Rio fora do cartão-postal

Douglas Ruas procurou apresentar sua candidatura como representante de uma nova geração da direita fluminense. O candidato agradeceu o apoio do ex-presidente Jair Bolsonaro e citou Flávio Bolsonaro ao falar sobre a campanha presidencial.

Em seu discurso, Ruas afirmou que governos anteriores concentraram atenção excessiva em áreas mais conhecidas da capital e defenderam uma visão limitada do estado.

“São 92 municípios, mas durante muitos anos governaram como se o estado fosse apenas alguns bairros da capital”, disse.

O candidato citou a Zona Norte, a Zona Oeste, a Baixada Fluminense, São Gonçalo e o interior como áreas que deveriam receber maior atenção do governo.

“Eu sou filho desse Rio que não sai na novela”, afirmou.

Ruas também fez uma referência indireta à administração de Paes ao criticar investimentos em grandes eventos na capital. “Nós não precisamos de um governador para cuidar de show da Madonna em Copacabana. Nós precisamos de um governador para cuidar das pessoas.”

Garotinho mira servidores públicos

Anthony Garotinho utilizou os minutos finais para reforçar uma proposta voltada aos servidores estaduais. O candidato do Republicanos defendeu a criação de um sistema de cashback para devolver aos funcionários públicos, pelo contracheque, parte do imposto estadual incidente sobre determinados produtos.

Segundo a proposta apresentada por ele, despesas com medicamentos, alimentos e materiais de higiene e limpeza poderiam gerar a devolução do imposto estadual no mês seguinte.

“Ele vai ser um fiscal do estado e com isso nós vamos dar um aumento médio, logo no primeiro mês, de dezoito por cento”, afirmou Garotinho.

O ex-governador também direcionou críticas a Eduardo Paes e tentou estabelecer comparação entre sua passagem pelo Palácio Guanabara e os governos posteriores.

“Eu tô voltando aqui pra consertar a bagunça que eles fizeram”, declarou.

O encerramento repetiu, assim, uma característica presente em outros momentos do debate: mesmo sem comparecer ao confronto, Eduardo Paes foi tratado pelos adversários como um dos principais polos da disputa. Ao mesmo tempo, os quatro candidatos presentes buscaram utilizar seus últimos minutos para apresentar ao eleitor diferentes caminhos para segurança, administração pública, valorização dos servidores e descentralização dos investimentos estaduais.

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