Entre bilhões supostamente escondidos, investigações e suspeitas de corrupção, uma fruta acabou entrando no discurso político na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj). Nesta quinta-feira (03), o deputado Luiz Paulo (PSD) recorreu à ironia ao falar sobre o uso da palavra “laranja” para designar pessoas utilizadas para ocultar os verdadeiros responsáveis por movimentações financeiras ou outras atividades ilícitas.
“Coitada das nossas laranjas, ficam levando culpa sem tê-las”, afirmou Luiz Paulo, ao comentar as notícias sobre investigações envolvendo Daniel Vorcaro, dono do banco Master. Ao mencionar uma suposta delação premiada, disse que ela indicaria onde o banqueira teria escondido R$ 20 bilhões, incluindo dinheiro, títulos, papéis e bens ou valores associados a “laranjas”.
Da fruta ao jargão criminal
A ironia explorou os dois significados da palavra. Além da fruta, “laranja” é um termo popularmente empregado no Brasil para identificar quem empresta nome, documentos ou contas para esconder a identidade de pessoas que efetivamente controlam recursos, empresas ou operações.
O comentário surgiu no meio de um discurso sobre denúncias e investigações que, na avaliação do deputado, passaram a ocupar espaço central no noticiário nacional. “A população brasileira e fluminense deve estar profundamente decepcionada com tudo o que leu e viu”, declarou.
Deputado leva discurso para o Rio
O líder do PSD na Alerj também direcionou as críticas ao cenário fluminense. Em sua fala, O deputado voltou a mencionar o Banco Master, tema que já provocou debates na Assembleia por causa das aplicações realizadas pelo Rioprevidência.
Ele relacionou ainda o banco ao Credcesta e voltou a questionar empréstimos consignados e operações com cartões de crédito destinados a servidores, aposentados e pensionistas do estado do Rio.
Corrupção entra na campanha
A pouco mais de um mês do primeiro turno das eleições, marcado para 4 de outubro, Luiz Paulo afirmou que esperava ver propostas para o desenvolvimento do país e dos estados ocupando maior espaço no debate eleitoral. Segundo ele, entretanto, denúncias de corrupção e a segurança pública têm dominado as discussões.
“Aí, você quer entender quais são as propostas para o Brasil, para as diversas unidades federativas, o tema é só corrupção”, afirmou.
O deputado disse ainda perceber resistência dos eleitores durante atividades de campanha. Na avaliação dele, a rejeição não seria necessariamente dirigida a um candidato específico, mas às próprias instituições representadas pelos políticos.







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