Em uma iniciativa que causou espanto e indignação, a Casa Branca lançou uma plataforma de videogames que transforma a política de deportação de imigrantes em uma espécie de brincadeira virtual. Em um dos jogos, o participante assume o controle de um personagem do governo americano e precisa “caçar” pessoas na região da fronteira.
Batizado de “Rio Run”, o game coloca o jogador para patrulhar a área do Rio Grande e capturar os personagens que aparecem pelo caminho. A cada pessoa recolhida, a pontuação aumenta, enquanto o placar contabiliza quantos imigrantes foram “deportados”.
A dinâmica chama atenção justamente por transformar uma política de forte impacto humano em entretenimento. Antes de começar, o jogo orienta o participante a patrulhar a linha do rio e pegar todos aqueles que tentarem atravessá-la, em uma representação direta da política de controle migratório defendida pelo governo Trump.
Jogo apresenta deportação como pontuação
O “Rio Run” é inspirado no clássico “Snake”, no qual o jogador movimenta um personagem para recolher objetos que aparecem na tela. Na versão criada pela Casa Branca, entretanto, os elementos substituídos por pontos são pessoas que tentam atravessar a fronteira.
A proposta faz com que a deportação deixe de aparecer apenas como uma medida governamental e passe a ser apresentada como objetivo de uma competição virtual. Quanto mais pessoas capturadas, maior é o resultado obtido pelo jogador.
A plataforma, chamada “Arcade”, reúne cinco jogos produzidos para apresentar diferentes pautas da administração de Donald Trump. A iniciativa oficial utiliza uma estética simples, semelhante à dos videogames antigos, para abordar políticas que incluem imigração, segurança de fronteira, alimentação, legislação e poupança infantil.
Muro na fronteira também vira brincadeira
Outro game da plataforma, “Build the Wall”, transforma a construção do muro na fronteira em uma versão do clássico “Tetris”. O jogador precisa encaixar blocos para erguer a barreira enquanto a página apresenta uma mensagem sobre proteger a fronteira da “horda que se aproxima”.
O cenário do jogo exibe ainda uma placa com a inscrição “Southern Border”, em referência à fronteira sul dos Estados Unidos. Assim como no “Rio Run”, uma política central do governo Trump é convertida em uma experiência de entretenimento.
Outros jogos seguem agenda de Trump
Os demais títulos também fazem referências diretas a iniciativas da administração americana. Em “Supply Line”, o jogador separa alimentos em uma linha de produção de acordo com os critérios associados à campanha “Make America Healthy Again”.
Já “Flappy Bill” apresenta uma águia carregando um projeto de lei pelos céus de Washington, enquanto o objetivo é mantê-la voando entre monumentos do National Mall.
O quinto jogo, “Trump Savings Tycoon”, coloca o participante para recolher dinheiro que aparece na tela com o objetivo de “encher as contas Trump dos seus filhos”. A referência é ao programa de poupança infantil do governo, que prevê US$ 1 mil para cada criança nascida durante o mandato de Trump.
A criação do “Arcade” coloca em evidência uma estratégia incomum de comunicação institucional: transformar políticas públicas e propostas controversas em jogos. Entre os cinco títulos, porém, é o “Rio Run” que provoca maior impacto ao representar a captura e a deportação de imigrantes como uma atividade de pontuação e diversão







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