Globo faz ampla mudança de comando com problemas financeiros, de imagem e efeito Cazé

A Globo prepara a maior mudança em sua estrutura de comando em uma década, com a saída de três diretores em meio a resultados financeiros abaixo do esperado e críticas à estratégia adotada para a Copa do Mundo de 2026

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A emissora deve anunciar nesta sexta-feira (4) a saída de Manuel Belmar, responsável pelas áreas de Finanças, Jurídico e Infraestrutura; Manuel Falcão, diretor de Marca e Comunicação Institucional; e Pedro Garcia, diretor de Direitos Esportivos.

A decisão representa uma das maiores reformulações na direção da Globo nos últimos anos. O presidente Paulo Marinho convocou uma reunião com os principais executivos para comunicar as mudanças e apresentar a nova estrutura da companhia.

Pela reorganização planejada, segundo a coluna Outro Canal, da Folha, Amauri Soares, diretor-executivo da TV e dos Estúdios Globo, deverá concentrar mais poder. Paulo Marinho, por sua vez, tende a deixar a função executiva e permanecer no conselho da empresa.

Erro na Copa fortaleceu a CazéTV

A estratégia adotada para os direitos da Copa do Mundo de 2026 aparece como um dos principais fatores por trás da mudança. Manuel Belmar e Pedro Garcia foram responsabilizados pela decisão de não adquirir o pacote completo do Mundial, deixando mais de 50 partidas com exclusividade para a CazéTV.

A Fifa havia oferecido à Globo, no segundo semestre de 2025, os direitos de transmissão dos 104 jogos do torneio. A empresa, porém, recusou a proposta por considerar que a quantidade de partidas poderia provocar uma “overdose” de futebol e afastar o público.

A avaliação acabou se mostrando equivocada. Com a CazéTV garantindo uma parcela expressiva dos jogos, a Globo perdeu espaço em uma das principais vitrines esportivas do mundo e posteriormente reconheceu que teria sido melhor comprar o pacote integral.

Resultados financeiros também pesaram

A reformulação também ocorre em um momento de desempenho financeiro considerado abaixo das expectativas. No primeiro semestre, as receitas da Globo ficaram praticamente estagnadas, enquanto a operação chegou ao chamado ponto de equilíbrio, quando as receitas apenas cobrem os custos.

O Globoplay apresentou avanço na quantidade de assinantes e conseguiu deixar de registrar prejuízo operacional. O serviço, entretanto, ainda não alcançou lucro, em parte devido ao modelo adotado no acordo com a Claro, pelo qual a Globo recebe um valor fixo para disponibilizar a plataforma aos clientes da operadora.

Marca da Globo entra no centro da discussão

A saída de Manuel Falcão está relacionada principalmente à percepção da marca Globo. Estudos internos apontaram deterioração da imagem da empresa nos últimos anos, aumentando a pressão por mudanças na área de comunicação institucional.

Aliados do executivo, contudo, avaliam que a piora na percepção da marca estaria ligada principalmente à polarização política no país, e não necessariamente à condução de Falcão.

A nova estrutura também poderá ampliar as atribuições de Fernando Ramos, atual diretor de Parcerias Estratégicas de Distribuição. A saída do executivo chegou a ser considerada, mas a tendência agora é que ele permaneça e assuma novas responsabilidades.

A reformulação marca uma mudança importante na Globo justamente em um momento de transformação no mercado audiovisual, com plataformas digitais ganhando força e a CazéTV conquistando espaço em eventos esportivos de grande audiência.

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