Câmara supera cem mulheres pela primeira vez; Rio elege dez deputadas

Bancada feminina chegará a 109 parlamentares em 2027, maior número da história; mesmo com recorde, mulheres ocuparão pouco mais de um quinto das 513 cadeiras

Adicione o Agenda do Poder como fonte preferencial no Google

A Câmara dos Deputados terá pela primeira vez mais de cem mulheres em uma mesma legislatura. As eleições deste domingo (4) levaram 109 deputadas à Casa, estabelecendo um novo recorde de representação feminina no Congresso. O Rio de Janeiro aparece entre os estados que mais contribuíram para esse resultado, com dez mulheres eleitas.

A nova bancada feminina representará 21,2% das 513 cadeiras da Câmara a partir de fevereiro de 2027. Apesar do avanço histórico, a presença das mulheres no Legislativo continuará distante da proporção feminina na população brasileira.

Dos 109 nomes que integrarão a bancada, 59 conseguiram a reeleição. A Câmara contabiliza ainda 404 homens entre os deputados escolhidos para a próxima legislatura.

Rio fica entre os três primeiros

Os maiores colégios eleitorais do Sudeste concentraram também os maiores números de mulheres eleitas.

São Paulo liderou, com 16 deputadas federais, seguido por Minas Gerais, com 11, e Rio de Janeiro, com dez. Juntos, os três estados responderão por 37 das 109 mulheres na próxima legislatura.

No caso fluminense, o PL foi a legenda com maior representação feminina: cinco das dez deputadas eleitas no estado são do partido.

Bahia, Pernambuco e Santa Catarina aparecem logo depois, com seis mulheres eleitas em cada estado. Na outra ponta, Distrito Federal, Piauí e Roraima não elegeram nenhuma mulher para a Câmara dos Deputados.

Erika Hilton bate recorde entre mulheres

A eleição também produziu um recorde individual. Erika Hilton (PSOL-SP) foi reeleita com cerca de 1,6 milhão de votos e tornou-se a mulher mais votada da história para a Câmara dos Deputados.

O desempenho superou o recorde anterior de Joice Hasselmann, que havia recebido 1.078.666 votos em São Paulo nas eleições de 2018. Erika também se tornou apenas a segunda mulher a ultrapassar a marca de 1 milhão de votos para deputada federal.

Entre as mulheres com maiores votações no país aparecem ainda Sâmia Bomfim (PSOL-SP), Julia Zanatta (PL-SC), Ana Elisa (PT-MG) e Tabata Amaral (PSB-SP).

Erika, no entanto, não ficou entre os dois candidatos a deputado federal mais votados no resultado geral. Nikolas Ferreira (PL-MG) recebeu mais de 3,1 milhões de votos, enquanto Lucas Pavanato (PL-SP) ultrapassou 3 milhões.

Recorde não elimina sub-representação

O crescimento da bancada feminina mantém uma tendência observada nas últimas eleições. A representação das mulheres vem aumentando gradualmente, embora permaneça muito abaixo da participação feminina na população brasileira.

O novo contingente de 109 deputadas representa um crescimento de 21,1% em relação às 90 parlamentares da atual legislatura, segundo levantamento atualizado da Câmara.

O resultado também ocorre em uma eleição na qual houve redução do número absoluto de candidaturas femininas. Antes do pleito, a Câmara registrava 2.820 mulheres concorrendo a deputada federal, contra 3.717 em 2022, uma queda de 24%.

Relacionadas

Deixe um comentário

Descubra mais sobre Agenda do Poder

Assine agora mesmo para continuar lendo e ter acesso ao arquivo completo.

Continuar lendo