Lula critica ‘promiscuidade’ no STF e promete reação contra Flávio Bolsonaro

Presidente reúne aliados após derrota no primeiro turno, diz que vai participar dos debates e aposta em 20 dias para virar a disputa contra o candidato do PL

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O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou que seu governo “carregou nas costas” uma situação que classificou como “muito grave”: a “promiscuidade que ficou estabelecida na Suprema Corte brasileira”. A declaração foi feita nesta segunda-feira (5), durante uma reunião com aliados para discutir a estratégia do segundo turno contra Flávio Bolsonaro (PL), que terminou a primeira etapa da eleição na liderança, com 47,03% dos votos, contra 45,16% de Lula.

A crítica de Lula ocorreu em meio às recentes denúncias envolvendo ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) no escândalo do Banco Master, do banqueiro Daniel Vorcaro. Para o presidente, a situação provocou desconfiança da população em relação à Corte e precisa ser discutida.

“Quando a Suprema Corte está sob a desconfiança da sociedade é muito grave”, afirmou Lula.

O presidente defendeu uma reforma do Poder Judiciário e disse que pretende discutir com a sociedade mudanças relacionadas à estrutura da Justiça, incluindo a forma de escolha dos ministros do STF.

“É um tema difícil, mas necessário”, declarou.

Lula reúne aliados para tentar virar resultado

Depois de ficar atrás de Flávio Bolsonaro no primeiro turno, Lula reuniu ministros, governadores e senadores eleitos em dois encontros em Brasília, um no Palácio da Alvorada e outro no hotel San Marco.

As reuniões tiveram como objetivo recalibrar a campanha e mobilizar a base aliada para os 20 dias de disputa até o segundo turno.

Apesar da derrota na primeira etapa, Lula demonstrou confiança na possibilidade de reverter a vantagem do adversário. O presidente lembrou a eleição de 2006, quando disputou o segundo turno contra Geraldo Alckmin, hoje seu vice-presidente.

Segundo Lula, naquela eleição ele conseguiu ampliar sua votação no segundo turno, enquanto Alckmin perdeu votos.

“Não há nenhuma razão para que a gente não seja eleito no segundo turno. Nenhuma razão econômica, social ou política”, afirmou.

O presidente também disse que ficou decepcionado por não conseguir vencer já no primeiro turno porque toda eleição que ele disputou ele quis “ganhar no primeiro turno”.

“Valeu a pena a campanha que vocês fizeram”, disse aos aliados.

‘Agora é tête-à-tête’

Lula afirmou que pretende participar dos debates do segundo turno e indicou que a estratégia será colocar frente a frente sua trajetória política e administrativa e a de Flávio Bolsonaro.

“Esta eleição é uma eleição que a gente vai ganhar colocando a biografia de um candidato e a do outro e os programas de governo de cada um”, afirmou.

Em outro momento, resumiu o desafio da campanha:

“Vinte dias pra gente colocar pra fora aquilo que deveríamos ter colocado o ano inteiro.”

A estratégia petista deverá explorar a experiência de Lula no governo e apresentar propostas para áreas como saúde e segurança pública.

Ao citar o programa Mais Médicos Especialistas, o presidente afirmou que sua experiência administrativa será um dos pontos utilizados para diferenciar sua candidatura da adversária.

“Nós sabemos que tratar da saúde da população não é especialidade deles”, disse.

Segurança pública será tema central

Lula também abordou a segurança pública, um dos temas que devem ganhar espaço no segundo turno.

O presidente defendeu a retomada de territórios dominados pelo crime organizado, mas afirmou que apenas ações de segurança não serão suficientes sem políticas sociais.

“Do jeito que está, o crime organizado ganhou”, declarou.

Lula mira os 30 milhões que não votaram

Outro ponto destacado pelo presidente foi a abstenção no primeiro turno. Lula citou cerca de 30 milhões de pessoas que não compareceram às urnas e afirmou que a campanha precisa entender as razões desse afastamento.

“Porque 30 milhões de seres humanos não foram votar? Possivelmente tem uma causa que é desinteresse e a responsabilidade nossa é devolver o interesse para eles”, afirmou.

Ele minimizou a questão da polarização, afirmando que “no mundo inteiro as eleições são polarizadas”. Ele lembrou a polarização entre o PT e o PSDB em eleições anteriores questionando se os que se abstiveram de votar no domingo não gostam dos atuais candidatos. “Se fosse assim teria surgido uma terceira via e não surgiu uma terceira via. Nunca surgiu uma terceira via quando era nós contra o PSDB e não surgiu agora. O que nós temos é tentar convencer estas pessoas”, afirmou o petista.

“Temos de procurar o que não fizemos corretamente e fazer”, disse.

O presidente ainda criticou o que considera uma dificuldade de sua campanha em explicar à população a trajetória política recente do país.


“Não é possível este pais depois de passar 23 anos de regime militar, depois de passar com a experiência negativa de Color de Mello, que veio com a pretexto de acabar com a corrupção e acabou afastado exatamente por corrupção. Este país que teve um candidato que ganhou as eleições antissistema e ele é a cara do sistema. E nós não explicarmos isso pra sociedade é um grande defeito nosso”, afirmou o presidente.

Lula promete reação

Com Flávio Bolsonaro na frente por uma diferença de 1,87 ponto percentual, a campanha de Lula terá agora pouco mais de duas semanas para tentar mudar o cenário.

O presidente afirmou que pretende levar a disputa para os debates e apresentar as diferenças entre os dois projetos.

“Se preparem porque nós vamos ganhar a eleição”, afirmou Lula aos aliados.

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