Aos 23 anos, com uma carreira política de apenas dois e uma trajetória construída principalmente nas redes sociais, Eduarda Campopiano (PL) saiu das urnas neste domingo (4) como protagonista de um dos resultados mais expressivos da eleição em São Paulo. Autointitulada “a maior inimiga das feministas de São Paulo”, a influenciadora recebeu 1.956.238 votos e foi a candidata a deputada estadual mais votada do estado.
A dimensão do resultado fica mais evidente na comparação com os adversários. Campopiano recebeu quase três vezes os votos de Eduardo Suplicy (PT), segundo colocado, que somou 653.753. A votação da candidata do PL também foi a segunda maior da história para uma vaga na Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp), atrás apenas do desempenho de Janaína Paschoal em 2018, quando ultrapassou a marca de 2 milhões.
O salto eleitoral chama atenção também pela velocidade. Há dois anos, Campopiano recebeu pouco mais de 3,5 mil votos para se eleger vereadora de Praia Grande, no litoral paulista. Agora, deixa a política municipal para chegar à maior Assembleia Legislativa do país com uma votação próxima de 2 milhões.
Das redes sociais para as urnas
Natural de Campinas, Maria Eduarda Campopiano Monteiro começou a produzir conteúdo político nas redes sociais aos 18 anos. Antes de disputar eleições, integrou equipes de comentaristas e construiu uma audiência em torno de temas políticos e de costumes. Hoje, reúne mais de 2 milhões de seguidores nas redes.
Sua primeira eleição ocorreu em 2024. Campopiano conquistou uma cadeira na Câmara de Praia Grande com cerca de 3,5 mil votos e foi a mulher mais votada para vereadora no município. Menos de dois anos depois, transformou a exposição digital em uma votação estadual de dimensão muito superior.
A ascensão política também está associada a Lucas Pavanato (PL), seu padrinho político. Ele próprio teve desempenho expressivo nas urnas neste domingo, sendo eleito deputado federal como o mais votado em São Paulo. Durante a campanha, Campopiano vinculou sua candidatura a outros nomes do campo bolsonarista e recebeu apoio de lideranças do PL.
Antifeminismo como marca política
A oposição ao feminismo ocupa espaço central na identidade política construída pela deputada eleita. Campopiano já se definiu publicamente como conservadora e antifeminista e adotou a expressão “maior inimiga das feministas” como uma de suas marcas nas redes e durante a campanha.
Entre suas posições públicas estão a oposição ao aborto e às cotas raciais, críticas à criminalização da misoginia e a defesa do porte de armas. Campopiano também já questionou a tipificação específica do feminicídio, embora tenha defendido agravantes para agressões nas quais um homem utilize sua superioridade física contra uma mulher.
Na pauta do aborto, a nova deputada afirma que pretende incentivar políticas de atendimento às gestantes e a divulgação da possibilidade de entrega legal de crianças para adoção. Ela também defende ações contra clínicas clandestinas.
Algumas de suas declarações provocaram reações de adversários políticos e movimentos sociais. Falas sobre povos indígenas e manifestações envolvendo pessoas trans resultaram em representações apresentadas ao Ministério Público por parlamentares, que acusam Campopiano de racismo e transfobia. As acusações deverão ser analisadas pelos órgãos competentes.
Votação supera nomes tradicionais
O resultado coloca uma política praticamente estreante à frente de personagens com décadas de vida pública. Eduardo Suplicy, ex-senador, ex-deputado federal e ex-vereador, terminou em segundo lugar na disputa estadual, enquanto Sofia Favero (PSOL) recebeu 407.773 votos e ficou entre os principais nomes eleitos para a próxima legislatura.
A eleição de Campopiano também evidencia o peso das redes sociais como plataforma de construção de candidaturas. Em apenas uma eleição municipal e uma estadual, ela passou de pouco mais de 3,5 mil votos em Praia Grande para quase 2 milhões em todo o estado.
O desempenho ocorre ainda em meio à estratégia do PL de ampliar a presença de candidaturas femininas conservadoras. Durante a campanha paulista, o partido reservou espaço na propaganda para mulheres identificadas com pautas de direita, num cenário em que diferentes campos políticos disputaram diretamente o eleitorado feminino.







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