Caiado promete anistia pelo 8 de Janeiro, pacote de reformas e polícia transnacional

Candidato do PSD diz que enviará medidas ao Congresso no primeiro dia de governo, defende classificar PCC e CV como grupos terroristas e endurece críticas a Flávio Bolsonaro

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Candidato do PSD à Presidência da República, o ex-governador de Goiás Ronaldo Caiado afirmou nesta sexta-feira (7) que, se eleito, pretende enviar ao Congresso, já no primeiro dia de mandato, um pacote que inclui anistia aos condenados pelos atos golpistas de 8 de janeiro de 2023, reformas administrativa e política e mudanças em pontos das reformas tributária e da Previdência.

Durante sabatina promovida pela GloboNews e pelo g1, Caiado disse que a anistia teria como objetivo, segundo ele, “pacificar o país”. Questionado se considera os ataques às sedes dos Três Poderes uma tentativa de golpe de Estado, o candidato evitou responder diretamente.

“Essa medida tem o sentido de pacificar o país. Nós não podemos mais conviver com o que estamos vivendo. É uma briga inútil, que só traz desgastes. Eu tenho a consciência de que, no momento em que eu promover a anistia, esse assunto sai da pauta”, afirmou.

Reformas e segurança pública

Caiado afirmou que pretende preparar, ainda durante a transição, uma série de propostas para encaminhá-las simultaneamente ao Congresso. Entre as prioridades citadas estão uma lei antiterrorismo, a reforma administrativa, a reforma política e a revisão de pontos das regras tributárias e previdenciárias.

Na segurança pública, uma das principais bandeiras de sua campanha, o candidato prometeu buscar acordos com os dez países que fazem fronteira terrestre com o Brasil para criar o que chamou de “polícia transnacional”.

A proposta permitiria, segundo ele, o trânsito de agentes entre os países participantes e o compartilhamento de informações de inteligência. Caiado reconheceu, porém, que ainda não discutiu o plano com os governos envolvidos e não detalhou como a estrutura seria financiada nem quais mudanças legais seriam necessárias.

“Eu quero criar essa polícia na América do Sul. Eu quero ter uma polícia que possa transitar. Vou criar uma nova polícia entre esses países e o Brasil, para que nós tenhamos um sistema de inteligência”, declarou.

Caiado também defendeu que facções como o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) sejam classificadas como organizações terroristas. O candidato voltou a se posicionar contra o uso de câmeras corporais por policiais militares, sob o argumento de que os equipamentos poderiam limitar a atuação dos agentes.

Críticas a Flávio Bolsonaro

Na disputa presidencial, Caiado elevou o tom contra Flávio Bolsonaro (PL) ao comentar as relações do senador com Daniel Vorcaro, dono do Banco Master. O candidato do PSD afirmou que políticos que pretendem ocupar a Presidência precisam demonstrar “autoridade moral”.

“Se ele não teve capacidade de comprovar a inocência, ele não tem condições de ser candidato. Qualquer pessoa que tiver amanhã essa dúvida em relação ao seu comportamento não deveria ser candidato à Presidência da República”, afirmou.

Caiado também minimizou seu desempenho nas pesquisas eleitorais e o elevado índice de desconhecimento entre os eleitores, argumentando que a campanha ainda está em fase inicial.

Relação com os EUA e controle das emendas

O candidato criticou ainda a condução das relações do governo Lula com os Estados Unidos e defendeu a negociação com Washington em vez de medidas de retaliação. Como possível ativo brasileiro numa negociação, citou as reservas de terras raras e defendeu investimentos para ampliar o processamento desses minerais no país.

Caiado afirmou, porém, que o Pix e questões relacionadas à soberania brasileira não deveriam fazer parte de qualquer negociação.

Na economia, o presidenciável defendeu redução de gastos e equilíbrio fiscal, mas não detalhou quais despesas seriam cortadas. Também prometeu limitar as emendas parlamentares impositivas e direcioná-las para projetos vinculados ao planejamento do governo federal.

A sabatina faz parte de uma série de entrevistas com candidatos à Presidência. Renan Santos (Missão) e Romeu Zema (Novo) já participaram. Flávio Bolsonaro será entrevistado na segunda-feira (10). O presidente Lula (PT) não participará.

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